Brasil desenvolve projeto de rádio comandado por software

O Instituto Genius de Tecnologia e a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa, associaram-se para a produção do primeiro Rádio Definido por Software nacional (SDR, na sigla em Inglês). O principal benefício do projeto é que, em caso de guerra, o uso dos rádios nacionais não deixa o País vulnerável a uma eventual desativação ou quebra da criptografia do equipamento importado. ?O interesse brasileiro nesse projeto é estratégico e não econômico. Com a tecnologia nacional, as Forças Armadas têm a garantia de que o sistema não poderá ser desabilitado?, explica André Printes, gerente de projetos do Instituto Genius.
O projeto conta com investimento de R$ 4 milhões, dos quais 50% serão aportados pela Finep, a fundo perdido, e os 50% restantes serão financiados pela Imbel. A pesquisa e o desenvolvimento deverão ser concluídos pelo Instituto Genius, até dezembro de 2007, com a entrega do primeiro protótipo pré-industrial. Depois disso, a Imbel ficará responsável pela certificação, produção e comercialização dos equipamentos.
O Rádio Definido por Software é uma tecnologia em evolução, cuja ?proposta filosófica? é digitalizar o sinal de radiofreqüência. Hoje, segundo Printes, um SDR tem de 70% a 80% da digitalização completa. Mas, mesmo assim, importantes aplicações especialmente para a área militar já foram desenvolvidas graças ao funcionamento por software. Uma delas é conhecida como salto de freqüência: o sinal é transferido de uma freqüência para outra, várias vezes por segundo, impedindo que seja interceptado.

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Além disso, como o rádio é comandado por um software embarcado, cada nova aplicação poderá ser acrescentada bastando apenas a atualização deste software. Assim, o equipamento ganha flexibilidade de uso e facilidade para reconfigurações. De acordo com Printes, o rádio pode chegar a 30 quilômetros de alcance e será usado para comunicação entre soldados em terra e também entre terra e ar com interoperabilidade com os equipamentos legados. ?Esta tecnologia pode ser usada na área de segurança pública, pelas polícias civil, militar, corpo de bombeiros, entre outras ? que hoje utilizam a tecnologia tradicional de radiofreqüência que pode ser interceptada. Mas essa é uma decisão que cabe à Imbel?, afirma Printes.

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