70% dos telecentros brasileiros possuem acesso à Internet via cabo

Telecentro Recreio São Jorge - Foto: Fabio Nunes Teixeira

Cerca de 70% dos 2.839 centros de acesso público, também conhecidos como Telecentros, utilizam conexão via cabo. É o que mostra a pesquisa TIC Centro de Acesso Público 2019 divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br) nesta terça-feira, 7. Em 2013, este número era de apenas 19%. A fibra é a segunda tecnologia de conexão mais utilizada, presente em 36% das unidades. Em 2013, último ano em que a pesquisa foi realizada, nenhum Telecentro usufruía deste tipo de conexão ótica.

A conexão via satélite, que em 2013 alcançava 53% das unidades de acesso público, agora alcança apenas 23%; e a conexão móvel via modem ou chip de 3G ou 4G aumentou de 4% em 2013 para 20% em 2019. A pesquisa TIC Centros de Acesso Público apresenta um panorama destes espaços, que apesar do crescimento da conectividade via celular, ainda são espaços importantes de acesso à Internet em várias comunidades. Foram mapeados Telecentros cadastrados pelo governo federal que receberam algum tipo de apoio governamental (computador novo ou recondicionado, conexão de Internet, bolsa para contratação e formação de monitores, entre outros).

Velocidade e estrutura

Outro dado apontado na pesquisa TIC Centro de Acesso Público é a taxa da conexão: 27% dos 2.839 telecentros consultados possuem velocidade máxima de download entre 1 a 5 Mbps, enquanto 19% possuem entre 5 a 10 Mpbs e apenas 6% possuem velocidade máxima de download acima do 50 Mpbs.

No quesito equipamento, 64% das unidades consultadas possuem até dez computadores disponíveis para o público e praticamente todas funcionam de segunda a sexta. 11% abrem também aos sábados e 3% abrem aos sábados e domingos. A presença de monitores é vista em um número significativo de telecentros. 84% deles possuem monitores, orientadores ou agentes de inclusão digital para auxiliar o público, sendo que 64% desses agentes receberam algum tipo de treinamento para auxiliar o público em suas demandas e necessidades.

Serviços mais utilizados

Um dado também que mostra como estes espaços são importantes é o serviço acessado pelo usuário. 96% dos telecentros afirmaram que a pesquisa escolar representa a maior demanda do seu uso. Em segundo lugar está a digitação de currículos ou outros documentos, em 75% das unidades e em terceiro está a utilização de CD's, DVD's e pendrive, em 74% dos espaços comunitários de acesso.

Gestão

Na maioria dos Centros de Acesso Público, em 72% deles, a gestão é exercida pelo poder municipal. A incidência do poder municipal é maior na região Sul. 82% das unidades localizadas naquela região são geridas pelo município. Quando perguntados sobre a participação da sociedade local nas decisões dos espaços, 38% dos gestores dos telecentros declararam que a população participa de alguma forma das decisões sobre funcionamento, atendimento ou serviços prestados no telecentro.

Quase um terço (31%) das unidades de acesso público estão localizados em escolas; 22%, estão em bibliotecas e apenas 9%, em associações comunitárias. A região Norte é a que mais tem unidades localizadas em escolas, 69%. A região Sul possui 37% em bibliotecas e no Nordeste, 15% estão em associações comunitárias.

Política de Inclusão Digital

Por um tempo, especialmente nos primeiros anos do governo Lula, a implantação de telecentros foi uma das principais políticas de inclusão digital capitaneada pelo governo federal. Projetos como o Casa Brasil e o Telecentros.Br, por exemplo, foram as principais ações para conectar áreas periféricas brasileiras. Tanto que, antes da extinção, o Ministério das Comunicações contava com uma Secretaria de Inclusão Digital, criada em 2011. Possuía dois departamentos: Articulação e Formação e Infraestrutura, que criou um grupo de trabalho específico para traçar um projeto de expansão da internet para a zona rural.

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