Projeto piloto de CDN do NIC.br será inaugurado em julho em Salvador

Salvador receberá ainda em julho o piloto de rede de distribuição de conteúdo OpenCDN, projeto do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A escolha da região metropolitana da capital baiana já havia sido anunciada em maio por ter um ponto de troca de tráfego (PTT, chamado também pela sigla em inglês IX) com um número expressivo de Sistemas Autônomos e pico de tráfego de aproximadamente 14 Gbps. A ideia é descentralizar o tráfego, levando o conteúdo para mais próximo dos provedores de acesso locais e usuários na região Nordeste. Consequentemente, aumenta a velocidade de carregamento desses conteúdos para o usuário e tira a necessidade de buscar tudo no PTT de São Paulo, o maior do País e cujo destino do tráfego sai caro para os provedores regionais.

A intenção da entidade é de abrir um OpenCDN em cada ponto de troca de tráfego brasileiro, a depender do resultado do piloto. Pelo menos mais três cidades deverão ser escolhidas para abrigar novas unidades após Salvador até o final do ano. Até o momento, dez sistemas autônomos e três grandes provedores de conteúdo estão interessados em se conectar à CDN soteropolitana.

O OpenCDN permite criar o equivalente a entrepostos próximos a 25 PTTs, funcionando como células de distribuição de conteúdo conectadas aos pontos de troca de tráfego em diversas regiões. Neles, os provedores de conteúdo instalarão seus servidores para atender a essa região. De acordo com o NIC.br, uma única estrutura de cache consegue abrigar diversos provedores de acesso locais, que poderão compartilhar custo da infraestrutura, como datacenter, transporte ao PTT de São Paulo e o trânsito à Internet.

Segundo o NIC.br, a operação do OpenCDN é aberta, transparente, autossustentável e sem fins lucrativos. O custo de conexão e hospedagem será dividido entre participantes. Reunindo pelo menos 20 sistemas autônomos, o custo por megabyte pode ser de R$ 5,50 a R$ 2,00, por exemplo, a depender do consumo do tráfego (15 Gbps ou 30 Gbps, no caso).

Sustentabilidade do PTT

Com recente pico histórico de 3 Tbps, o IX.br, administrado pelo NIC.br e localizado em São Paulo, é um dos maiores do mundo, e maior da América Latina. O ponto tem presença de grandes empresas de conteúdo, como Google, Facebook, Netflix e Akamai. Internamente, há projetos que discutem a sustentabilidade do projeto, uma vez que a necessidade de recursos para manutenção, equipamentos e pessoal está cada vez maior. O projeto da OpenCDN poderá ajudar a desafogar o tráfego para o PTT paulistano, mas há outros trabalhos sendo feitos para ajudar a manter a infraestrutura.

"Há um projeto, iniciado este ano, para fazer com que participantes em São Paulo e no Rio de Janeiro paguem pelo uso de participação no sistema, bancando nosso custo de manutenção, de pessoal para manter o projeto funcionando", declara o representante da Indústria de bens de informática, telecomunicações e software do CGI.br, Henrique Faulhaber. "Como o projeto é um sucesso, para continuar crescendo, (é preciso) não só mecanismos de sustentabilidade, mas de melhor gestão, porque cada vez mais a Internet brasileira depende de PTT, e cada uma dessas 27 cidades [onde há PTTs] ainda têm qualidade desigual porque os pontos são montados em cima da cadeia, e alguns têm gestão mais madura que outros", explica.

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