Seaborn pede recuperação judicial de subsidiárias responsáveis por cabo Seabras-1

[Atualizada em 08/01] Operadora do cabo submarino Seabras-1, a norte-americana Seaborn protocolou nos últimos dias de 2019 um pedido de recuperação judicial para duas subsidiárias responsáveis pela operação do ativo que liga São Paulo e Nova York (EUA). Segundo o grupo, mudanças no cenário competitivo do segmento nos últimos anos, bem como a deterioração da economia brasileira impediram a sustentabilidade da operação.

Responsáveis diretas pelo Seabras-1, a Seabras 1 Bermuda Ltd e a Seabras 1 USA LLC são as duas empresas cuja reestruturação de débitos foi solicitada pela matriz em petição protocolada em uma corte de Nova York. O valor atual das dívidas em questão chega a US$ 149,1 milhões.

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"Mudanças significativas na indústria submarina de telecomunicações comprometeram a capacidade das devedoras [as subsidiárias] de cumprir suas obrigações", justificou a Seaborn no documento protocolado no tribunal norte-americano.

"Imediatamente após o fechamento do financiamento para o Seabras-1, o cenário do mercado se alterou. Primeiro, um projeto de cabo submarino maior e mais novo iniciou sua construção, o que não havia sido antecipado pela companhia, credores, acionistas indiretos ou seus respectivos consultores de mercado", prosseguiu a companhia, em menção que pode indicar tanto para o cabo Monet (da Angola Cables) quanto para o Brusa (da Telxius).

"Em segundo lugar, durante a construção do Seabras-1, a economia brasileira entrou em colapso e o chamado escândalo de corrupção da Lava Jato envolveu muitos dos líderes políticos e de negócios do País. Isso resultou em severas quedas de preços na rota Seabras-1 EUA-Brasil, que ficaram muito abaixo do esperado", dificultando assim a amortização de débitos, completou a empresa.

Em comunicado para a imprensa, contudo, a Seaborn afirmou que clientes do Seabras-1 seguirão sendo atendidos normalmente e que o pedido de recuperação judicial das subsidiárias não afetará as atividades da matriz. A expectativa reportada é de conclusão do processo nos próximos meses, preferencialmente no segundo trimestre de 2020.

Com 10,8 mil km de extensão, 25 anos de vida útil e 72 Tbps de capacidade, o Seabras-1 está em operação desde agosto de 2017. Em 2018, o ativo gerou US$ 12,9 milhões em receitas, enquanto nos nove primeiros meses de 2019, US$ 11,9 milhões foram faturados. A empresa também detém um par de fibra no cabo AMX-1, da América Móvil, mas não gera receitas com o trecho que liga os EUA ao Rio de Janeiro.

3 COMENTÁRIOS

  1. "Imediatamente após o fechamento do financiamento para o Seabras-1…", é uma referência a qual financiamento? Seria algum aporte do BNDES?? Qual é a fonte desse financiamento, qual o valor e de quem é o aval?

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