Governo dos EUA busca operadoras para falar de 5G; teles recusam convite

Foto: kzd/Pixabay

O governo dos EUA convidou as operadoras de telecomunicações para uma reunião fechada para tratar de 5G, mas recebeu uma negativa. A informação, publicada pela Folha de S. Paulo, foi confirmada por este noticiário. Segundo apurou TELETIME, o convite era para uma reunião no próximo dia 9, com o Keith Krach, subsecretário de crescimento econômico, energia e meio ambiente do Departamento de Estado dos EUA, em visita ao Brasil. A iniciativa partiu do embaixador norte-americano Todd Chapman. As operadoras declinaram com três argumentos: haveria dificuldade de mobilização dos executivos por conta da pandemia; esse é um assunto que está sendo tratado entre as empresas e o governo brasileiro e em fóruns públicos; e as empresas têm obrigações de transparência. O governo dos EUA tem atuado agressivamente junto a outros governos no sentido de criar limitações à atuação da Huawei e outras empresas chinesas de tecnologia.

Sabe-se que este é um tema extremamente delicado para as empresas de telecomunicações, que não querem entrar em uma disputa geopolítica circunstancial e não endossam as mesmas preocupações de segurança que têm sido alegadas (ainda sem apresentação de provas) pelo governo norte-americano. Além disso, quase todos grupos que operam telecomunicações no Brasil atuam em outros países e têm processos globais de definição de tecnologias, de modo que nem todas as definições dependem dos times locais, e por isso consideram negativa qualquer intervenção política ou regulatória na escolha de fornecedores. 

O tema também é extremamente delicado dentro do governo. Técnicos e servidores ficam constrangidos em falar do tema pois sabem que existe uma agenda do presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é que, uma vez havendo uma orientação política oficial, na forma de decreto ou lei específica, aí sim será possível tomar as medidas técnicas que forem possíveis para limitar um ou outro fornecedor.

Comitiva

Mesmo que as operadoras tenham declinado o convite, a comitiva norte-americana virá assim mesmo. A própria embaixada dos Estados Unidos anunciou à imprensa em comunicado nesta sexta-feira, 6, que o subsecretário Keith Krach fará uma visita ao Brasil entre o sábado, 6, e a próxima quarta-feira, 11. 

O motivo é "uma série de reuniões com representantes de alto escalão do governo brasileiro e líderes empresariais para discutir a colaboração ambiental, rede limpa em rápido crescimento, questões de segurança no 5G, e os objetivos econômicos e de segurança nacional compartilhados entre os dois países". O termo "rede limpa" é a estratégia de marketing da Casa Branca para as infraestruturas sem equipamentos da Huawei e outros fabricantes chineses.

A visita será a São Paulo e Brasília. Na capital paulista, a delegação de Krach participará de "reuniões com investidores brasileiros e líderes do setor privado". Já no Distrito Federal, a comitiva norte-americana se encontrará com os "representantes de alto escalão" para discutir "assuntos relacionados a comércio, meio ambiente, cibersegurança, inteligência artificial, rede limpa, e formas concretas de reforçar a sólida parceria entre o Brasil e os Estados Unidos". (Colaborou Bruno do Amaral)

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