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Guerra na Ucrânia deve trazer impacto positivo na receita da SES

Antenas da operadora de satélite SES

A guerra na Ucrânia afetou o relacionamento da Rússia com os países ocidentais, o que trouxe impacto no setor de satélites. Além das consequências indiretas na economia, há restrições mais diretas, como a impossibilidade de utilizar o cosmódromo no Cazaquistão, ou de contar com a aeronave Soyuz para levar os artefatos ao espaço. Mas para a SES, há uma expectativa de impacto positivo por conta da demanda de serviços satelitais na Europa, especialmente para governo. O cronograma de lançamentos também se mantém otimista.

Nesta sexta-feira, 6, durante teleconferências dos resultados, o CEO da SES, Steve Collar, declarou que isso será visto no segundo trimestre. “Esperamos impacto positivo na receita. Não é algo que vai mudar a vida, mas será importante”, declarou ele a analistas. Ele justificou essa expectativa por ter aumentado a demanda por serviços de imagem e defesa aumentou para a Ucrânia e, em geral, por capacidade de govsat (comunicações de governo) de ministérios de Defesa na Europa.

“Esperamos uma alta no segundo trimestre que deverá nos ajudar a compensar o impacto [das receitas no mercado ucraniano].” Em entrevista ao TELETIME em abril, Collar declarou que houve ataques a instalações da empresa na Ucrânia, mas que a operadora tinha conseguido manter os serviços de radiodifusão.

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Desde que a guerra eclodiu, há dois meses, este noticiário apurou com a operadora satelital SES como ela enfrentou as consequências. Em geral, o que se pode perceber é que ainda não houve nenhum impacto significativo no cronograma de lançamentos atual, ainda que a destruição de um dos principais meios de transporte tenha obrigado a empresa a usar alternativas para levar um satélite à base de lançamento. O balanço financeiro da empresa também mostrou um aumento na receita e no lucro (veja mais abaixo).

Em março, a companhia declarou que, naquele momento, ainda não havia risco iminente para os planos de 2022, especialmente por ter lançamentos previstos a partir dos Estados Unidos. “Na SES, continuamos a monitorar de perto a situação em rápido desenvolvimento na Ucrânia e o conflito não representa um risco iminente para nossos planos de lançamento programados para 2022. No primeiro semestre do ano, teremos os dois primeiros lançamentos da nossa constelação MEO de próxima geração com os primeiros seis satélites O3b mPOWER a serem lançados pela SpaceX de Cabo Canaveral nos foguetes Falcon 9. No final do ano, nossos satélites de banda C para os EUA voarão no topo de um foguete SpaceX Falcon 9 e do foguete Atlas V da United Launch Alliance, também do Cabo.”

Antonov

Depois, em meados de abril, a SES começou a sentir o impacto nos planos de lançamento do SES-22, artefato fabricado pela Thales Alenia Space e que cobrirá os Estados Unidos com banda C, justamente para acelerar a limpeza da faixa que foi leiloada para o 5G naquele país. Antes da invasão russa na Ucrânia, a operadora estava comemorando que os trabalhos para o envio do satélite ao espaço estavam adiantados. 

Contudo, além das milhares de vítimas dos ataques, o avião gigante Antonov AN-124 foi totalmente destruído em bombardeio. Era com ele que a SES planejava transportar o SES-22 para o lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida. Sem ele, a solução foi levar o satélite pelo mar, em uma parceria com a Thales Alenia. 

Avião Antonov An-124-100 em 2008, em Luxemburgo. Foto: Peter Bakema/Wikimedia Commons

“A Thales Alenia Space contava com o fretamento da aeronave ucraniana Antonov AN-124 para o transporte de satélites geoestacionários, como o SES-22, para os locais de lançamento. No entanto, por causa da guerra russa na Ucrânia, não há aeronave Antonov disponível para transportar o SES-22 para o local de lançamento em Cabo Canaveral, Flórida. Estamos trabalhando em estreita colaboração com a Thales para transportar o SES-22 para o local de lançamento por mar e garantir um lançamento oportuno em julho de 2022.” 

O balanço financeiro da SES divulgado na quinta-feira, 5, mostra que o SES-22 continua programado para o segundo trimestre deste ano. Outros quatro satélites geostacionários (SES-18, SES-19, SES-20 e SES-21), todos para o mercado norte-americano e a aceleração da limpeza da banda C, deverão ser enviados ao espaço no segundo semestre. Além disso, a companhia espera lançar seis satélites da constelação de órbita média (MEO) O3b mPower no terceiro trimestre, com mais dois no final deste ano e outros dois em 2024. 

Balanço

No primeiro trimestre de 2022, a SES observou avanço no comparativo anual de 2,6% na receita, que totalizou 448 milhões de euros. A receita de vídeo ainda é o maior componente, com 261 milhões de euros, uma queda de 2,6% contabilizada sem contar variação cambial. Os 186 milhões de euros (sem incluir 1 milhão em receita de “outros”) restantes foram da área de redes, que apresentou uma pequena variação negativa de 0,3%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) cresceu de 260 para 266 milhões de euros. O lucro líquido atribuível a acionistas aumentou de 69 para 82 milhões de euros no primeiro trimestre comparado ao mesmo período de 2021.

Até 31 de março, a SES contabilizava 8.164 canais de TV e 366 milhões de casas no total no mundo. Desses, 3.054 canais são em HD. Mais de 70% dos canais são transmitidos no formato de vídeo MPEG-4, com mais 5% em HEVC.

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