Conexões acima de 2 Mbps serão 66% da banda larga fixa no Brasil em 2016

Com tantas ofertas de conteúdo multimídia, principalmente vídeo, fica cada vez mais difícil considerar como banda larga uma conexão de 128 kbps. Tanto que o estudo Barômetro Cisco, conduzido pela IDC para a companhia e divulgado nesta quarta-feira, 6, em São Paulo, agora foca no que chama de Banda Larga 2.0, ou seja, conexões acima de 2 Mbps. Considerando apenas este tipo de acesso, o Brasil contou com crescimento de 11,5% de janeiro a junho de 2012, atingindo 9,2 milhões de conexões e uma penetração de 4,7% para cada grupo de cem habitantes.

A previsão da Cisco é de que, considerando todo tipo de banda larga (1.0 e 2.0), o número de conexões ultrapasse 39,2 milhões em 2016, sendo 31,5% móveis e 69,3% fixas. Para efeito de comparação, em junho do ano passado o Brasil teve 23,627 milhões de conexões, sendo 6,149 milhões de móveis e 17,478 milhões fixas. Entre as tecnologias de Internet fixa consideradas no estudo estão xDSL, Internet via cable modem, fibra, wireless fixo, satélite e linhas dedicadas. Já os acessos móveis são por modems para PC, desconsiderando navegação por celular e smartphone.

Mas até 2016, a banda larga 2.0 também crescerá na representatividade, correspondendo a cerca de 66% de todas as conexões fixas. Hoje, essa participação é de 52,7%, sendo que 40% são de velocidades iguais ou superiores a 10 Mbps. A mudança reflete em desenvolvimento econômico. "Isso vai melhorar a competitividade do Brasil e da América Latina. A banda larga é um dos fatores-chave para um país se desenvolver", diz o gerente de telecomunicações da IDC, Diego Anesini.

A velocidade média cresceu nos seis primeiros meses do ano passado, atingindo uma taxa de 4,88 Mbps, ou 148 Kbps a mais. O novo perfil do consumidor, que procura conteúdo over-the-top (OTT), justifica este aumento. No comparativo com outros países da América Latina, o Brasil só perde para o Chile, país com maior penetração de banda larga na região e que tem velocidade média de 6,22 Mbps. A diferença, segundo o executivo da IDC, se dá porque o mercado brasileiro "tem várias cidades onde a economia se desenvolve, e isso traz muitos desafios para desenvolver a rede fixa".

Dicotomia

Em termos de tecnologia, as conexões xDSL continuam dominando o mercado e crescendo 8,2% entre janeiro e junho de 2012, chegando a 11,5 milhões de conexões. Acessos por cabo são 29,7% das conexões fixas e, junto com xDSL, representam 95,5% do total. Segundo o estudo, mesmo com o crescimento das conexões por fibra (considerando apenas FTTH), as tecnologias mais antigas continuarão a dominar o mercado nos próximos anos. Como alternativa à conexão puramente ótica, há também o DOCSIS, tecnologia utilizada pelas operadoras de TV a cabo, que o diretor de empresas da Cisco Brasil, Rodrigo Dienstmann, considera como "tecnologia adaptada à brasilidade" por entregar velocidades robustas sem precisar da fibra na última milha. "O Brasil tem uma dicotomia: provedores colocando fibra, fazendo atualização e expansão de redes de cabo; e do outro lado, redes com velocidade muito baixa."

Para ele, o crescimento de dados também é uma dualidade, pois está ligado à situação política e econômica brasileira. Havendo maior investimento em políticas públicas, aumenta o número de conexões móveis e fixas. "Dados móveis e Internet fixa são sondas, ou proxys, para o crescimento econômico", declara, comparando o drive do desenvolvimento tecnológico com a industrialização e as ferrovias no passado.

O executivo da Cisco destaca ainda o crescimento do mercado de banda larga para o usuário final, mas o menor interesse por parte das empresas. "A base da economia, os pequenos, ainda estão longe desse acesso e do investimento. Mesmo dentro do segmento corporativo, há ilhas de excelência e segmentos menos permeáveis", afirma.

Modelos

Durante o primeiro semestre de 2012, o preço médio por acesso no Brasil foi de R$ 63, justificado pelo foco dos provedores de acesso em ofertas nas velocidades intermediárias (2 Mbps) e superiores (5 Mbps). O Barômetro Cisco destaca que as regulamentações do setor deverão dissolver a concentração do mercado, permitindo a entrada de novos players e fomentando o mercado de pacotes triple play no País.

Mas ainda há barreiras. "Metade do custo da banda larga no Brasil é imposto", define o diretor de operadoras da Cisco do Brasil, Anderson André, declarando que, apesar de ser "100% a favor da neutralidade de rede", considera que serviços OTT "vão roubar receita". "As operadoras já não têm fontes de crescimento tão robustas quanto há cinco anos, elas precisarão de redes mais inteligentes, investir em gestão de rede e tecnologia para baixar o custo operacional. O Wi-Fi entra nisso, pois traz redução de Capex significativo para a operadora", conclui Rodrigo Dienstmann. "Se o imposto fosse menor, o retorno seria mais rápido. É um incentivo econômico. O que falta é desoneração para o serviço de telecom".

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