Telefónica: nenhum player brasileiro seria capaz de comprar a Oi sozinho

Durante teleconferência de resultados do terceiro trimestre realizada nesta terça-feira, 5, a Telefónica, controladora da Vivo, afirmou que as "estrelas podem estar se alinhando" no sentido de uma consolidação do mercado de telecom brasileiro que envolva a Oi Móvel. Por outro lado, a empresa acredita que nenhum dos três principais players com atuação no País teria capacidade de fazer tal movimento sozinho.

"O Oi não colocou seus ativos móveis à venda formalmente. Nós estamos monitorando a situação de perto e vemos que pode haver oportunidades de criação de valor e sinergias Mas se a consolidação do mercado for possível, nenhum dos três players vai ser capaz de fazer isso sozinho", argumentou o diretor de operações (COO) da Telefónica, Ángel Vilá, durante a conversa com analistas.

Para o executivo, ainda é necessário verificar o interesse da Oi na operação e a sua capacidade de fazê-la, visto que a operadora segue em recuperação judicial. "Há muitas variáveis, e muitas estrelas precisam estar alinhadas. Mas parece que, neste momento, elas de fato podem estar se alinhando", reconheceu Vilá.

A possibilidade do "fatiamento" da Oi em um eventual cenário de consolidação já havia sido ventilada há cerca de um mês como possível caminho para o negócio. Segundo reportado pela imprensa espanhola, a controladora da Vivo estaria trabalhando em um acordo "a seis mãos" ao lado de Claro (grupo América Móvil) e TIM (Telecom Italia), mirando sobretudo a operação móvel da concorrente, além de torres e lojas.

Durante a teleconferência de resultados da Telefónica, Vilá também mencionou as recentes aprovações do novo modelo de telecomunicações e da reforma da Previdência como fatores que tornam o Brasil mais atrativo para investimentos.

Balanço financeiro

No terceiro trimestre, as receitas líquidas do grupo somaram 11,902 bilhões de euros, em alta de 1,7% frente o mesmo intervalo de 2018. No acumulado dos nove primeiros meses de 2019, a receita líquida ficou em 36,023 bilhões de euros, um salto de 0,7% na comparação anual. O Brasil foi responsável por 21% do negócio da Telefónica entre julho e setembro, frente a 27% da operação espanhola.

Mesmo com a depreciação do real perante o euro, a controladora destacou o desempenho dos resultados da Vivo. O grupo classificou como significativa a aceleração no crescimento das receitas locais (no melhor resultado dos últimos 15 trimestres) e a alta no Ebitda. Ressaltou ainda o acordo firmado com a American Tower para ampliação da cobertura FTTH, além do novo modelo de franquias com o mesmo objetivo.

Apesar da volta do crescimento no faturamento, os resultados da empresa no terceiro trimestre foram impactados por provisões para custos de reestruturação – que somaram 1,876 bilhão de euros no período. Boa parte do montante é relacionada com um programa de reestruturação da força de trabalho da operação na Espanha.

Dessa forma, o lucro operacional antes de depreciação e amortização (OIBDA) no trimestre ficou em 2,748 bilhões de euros, em queda de 31,9% (mas que organicamente, afirma a companhia, teria crescido 0,8%). Em nove meses, o OIBDA somou 11,450 bilhões de euros, em recuo de 4,9%.

Por sua vez, o lucro operacional foi de 169 milhões de euros no terceiro trimestre (queda de 91,2% e de 2,7% organicamente) e de 3,622 bilhões de euros entre janeiro e setembro (recuo de 33,6%). Já o resultado líquido atribuível a acionistas ficou em prejuízo de 443 milhões de euros no terceiro tri, revertendo lucro no mesmo do período de 2018; no acumulado do ano, o lucro líquido está em 1,344 bilhão de euros, ou queda de 50,6%.

Os investimentos somaram 3,273 bilhões de euros no terceiro trimestre, em alta de 82,3% muito impactada pelo pagamento de licenças de espectro na Alemanha; em nove meses de 2019, os aportes da Telefónica totalizam 6,657 bilhões, em salto de 17,2%.

Do ponto de vista operacional, a operação do grupo somava 345,8 milhões de acessos ao fim de setembro, em queda de 3% considerada estabilidade pela empresa por conta de diminuição do perímetro de atuação após desinvestimentos. Destes, 262,4 milhões são acessos móveis, sendo 129,8 milhões em LTE.

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