Servidores do IBGE apontam falhas e pedem suspensão da coleta de dados de celulares

Foto: Marcelo Lima/IBGE

Servidores do IBGE não ficaram satisfeitos com a solicitação do Instituto de requerer das operadoras de telecomunicações os dados pessoais dos clientes de celular e telefonia fixa, incluindo nomes e endereço. A executiva nacional da Associação de Trabalhadores da instituição ASSIBGE-SN emitiu ainda na semana passada uma carta (acesse aqui) à presidente do IBGE, Susana Guerra, propondo a suspensão da PNAD-Covid, uma pesquisa de coleta de dados sobre estado de saúde da população no contexto da pandemia do coronavírus, alegando que a metodologia teria sido composta às pressas e "de forma atabalhoada". A entidade afirma que recebeu "inúmeros relatos de atropelos e falta de objetivos claros definidos", e que Guerra teria "de forma voluntarista e sem transparência" se comprometido com o trabalho junto ao governo sem ouvir o próprio corpo técnico. 

A ASSIBGE exige suspensão emergencial da pesquisa. A direção sindical quer que a pesquisa só seja retomada "quando se criarem as condições mínimas necessárias para a sua realização". Demanda ainda a criação de um fórum para discussão e levantamento de condições para realização, com o comprometimento da presidência ouvir os servidores, e "não só os (…) diretores e assessores diretos".

A pesquisa já foi iniciada na segunda-feira, 4, com cerca de dois mil agentes do IBGE já telefonando para 193,6 mil domicílios distribuídos em 3.364 municípios de todos os estados, mas utilizando a base da PNAD-Contínua, realizada no primeiro trimestre de 2019. A coleta de dados de usuários das operadoras foi autorizada por meio da Medida Provisória 954/2020, mas uma liminar para suspender o fornecimento das informações será colocada em votação pelo Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, 6. Por sua vez, ações de inconstitucionalidade já foram ajuizadas pela OAB e por partidos, enquanto no Senado há pedidos da oposição para que a Medida Provisória seja devolvida

Questionamentos

A entidade questiona a o objetivo, a justificativa e a metodologia da pesquisa. Afirma que não houve teste piloto para o questionário e indaga como foi construída, o objetivo de um bloco extenso sobre o mercado de trabalho (e se com isso, pretende-se substituir a PNAD Contínua), e os "objetivos reais" do IBGE com o levantamento. "Se os objetivos da pesquisa não estão claros para o corpo funcional de todo o IBGE, tendo em vista a forma atabalhoada em que está sendo feita, imaginem para a população e para os pesquisadores", protestam os servidores. 

No ofício, a associação diz ter sabido da realização da PNAD-Covid pela imprensa. "Estranhamos que um convênio [com o Ministério da Saúde] seja estabelecido exclusivamente pela cúpula da casa, sem conhecimento dos trabalhadores, que só recebeu a notícia quando divulgado pela imprensa", declara, ressaltando as dificuldades atuais de cumprir o plano de trabalho sem efetivo suficiente de servidores, especialmente durante a pandemia. A entidade diz que a pesquisa foi montada em 15 dias, com início da coleta de dados já na última segunda-feira, 4, depois de uma etapa de treinamento em pleno feriado de 1º de maio "sem direito a acúmulo de crédito extraordinário". Para os servidores, "há um imenso voluntarismo de mostrar eficiência a despeito de um processo de trabalho extemporâneo, feito às pressas, sem testes, sem diálogo interno".

De acordo com a entidade, o processo conduzido pela presidência do IBGE não considerou a dificuldade de realização da pesquisa por telefone, o que já teria sido sentido na realização da PNAD-Contínua. A prática seria apenas usada em emergência e "jamais recomendada" para o cotidiano devido à possibilidade de fraudes. Também critica a medida por trazer riscos aos próprios trabalhadores do instituto, uma vez que precisam se deslocar para pegar equipamentos.

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