Anatel abre caminho (e espectro) para a tecnologia WiFi 6 no Brasil

A Anatel aprovou na semana passada a revisão do Regulamento sobre Equipamentos de Radiocomunicação de Radiação Restrita para incluir a possibilidade de uso das faixas de frequência destinadas aos equipamentos WiFi 6. São as faixas de 5.925 GHz a 7.125 GHz.

A tecnologia de WiFi 6 é baseada no padrão IEEE 802.11ax e utiliza espectro não-licenciado, ou seja, não existe a necessidade de um operador da faixa. Isso permite a montagem de sistemas domésticos ou de pequeno alcance pelos próprios usuários, como acontece hoje com os sistemas WiFi, que operam nas faixas de 2,4 GHz e 5 GHz. Mas o WiFi 6 foi projetado para gerenciar um tráfego wireless de dados muito mais intensivo, em aplicações como realidade virtual, realidade aumentada, streaming de conteúdos 8k e conexões entre equipamentos que troquem grandes quantidades de dados, como equipamentos médicos ou de videoconferência. Outra vantagem do WiFi 6 é a possibilidade de definição de níveis de qualidade de serviço e prioridade no tráfego, além de uma grande largura de banda de operação (1,2 GHz),o que possibilita velocidades superiores a 10 Gbps.

A decisão da Anatel é alinhada com o que está sendo feito nos EUA e foi importante porque antecipou uma decisão que poderia ficar pendente até 2023, quando a Conferência Mundial de Radiocomunicação da UIT deve decidir sobre o uso da faixa de 7 GHz para o 5G.

Mas a liberação de equipamentos WiFi 6 no Brasil não acontecerá imediatamente. A Anatel ainda vai especificar, nos próximos 90 dias, as condições de uso da faixa. Uma das questões que podem ser discutidas é a convivência com outros serviços na mesma faixa, prioridade de acesso, limites de potência etc.

Estudos necessários

"Não é de hoje que a ANATEL aponta a importância do Wi-Fi como alternativa de baixo custo para se promover conectividade, reduzindo o abismo digital existente na sociedade brasileira, mas também como forma de baratear conexões à Internet a partir de redes de 3G e 4G, viabilizando offload do tráfego gerado por conexões de SMP (serviços móveis), tornando este serviço viável economicamente para o consumidores finais. O mesmo se diga em relação ao 5G", escreve o conselheiro Carlos Baigorri em seu voto.

Para ele, contudo, "ainda subsistem aspectos sobre a faixa de 5.925 a 7.125 GHz, os quais demandarão definições por parte do Conselho Diretor da Anatel. Dessa forma, entendo relevante que a área técnica instrua, em até 90 (noventa) dias, processo em que sejam avaliadas e discutidas as especificações técnicas que possibilitem a oferta de soluções de conectividade sem fio não licenciadas, na faixa de 5.925 a 7.125 GHz, de modo a realizar a política pública de massificação do acesso à Internet no Brasil e submeta a questão mais uma vez a este Colegiado para aprovação destes critérios técnicos".

Novas aplicações

A Anatel espera que a liberação da faixa não-licenciada para aplicações como o WiFi 6 possibilitem "um incremento de aplicações de realidade aumentada e de realidade virtual, que permitirão novas possibilidades de uso, por exemplo, no âmbito da assistência médica, diagnósticos, visualizações e monitores para cirurgia remota, treinamento para emergências pediátricas, imersão, entretenimento em shows e eventos, assistência técnica remota e treinamento para profissões de risco como mineração e busca e salvamento". Assim, prevê a Anatel, a mudança contribuirá para o "aumento exponencial de aplicações de Internet das Coisas (IoT)".

A questão de um possível descasamento com o que vier a ser decidido em 2023 sobre o espectro adicional para o IMT (5G) não preocupa a Anatel.

"A atualização da regulamentação de radiação restrita, na linha sugerida pela área técnica, deve ocorrer a despeito de encaminhamento, em âmbito internacional, de estudo para eventual atribuição da faixa de 7.025-7.125 MHz para uso por serviços móveis (IMT), cuja previsão de conclusão é 2023, a tempo da WRC-23".

Segundo o voto de Baigorri, "as análises promovidas em âmbito multilateral não impedem que a Anatel promova desde logo o uso ótimo do espectro, possibilitando que o Brasil se alinhe ao melhor padrão internacional, permitindo ganhos de escala que se traduzem na geração de bem-estar agregado. Isto, em particular, dado que a retirada de restrições de uso das radiofrequências que integram a faixa de 6 GHz permitirá a rápida implementação no país da tecnologia Wi-Fi 6, possibilitando a expansão de iniciativas de conectividade à Internet, em alinhamento com as políticas públicas vigentes para o setor de telecomunicações".

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