Para analistas de Wall Street, maior risco ao mercado de TV paga nos EUA é regulatório

O maior problema do mercado de TV por assinatura nos EUA nesse momento, na visão dos analistas de Wall Street, não é a quebra dos modelos de negócio, a chegada dos competidores over-the-top ou os custos de programação. O maior desafio é a incerteza regulatória criada pela FCC, o órgão regulador do mercado de comunicações norte-americano. Para os analistas que participaram de uma das sessões da INTX 2015, principal evento de TV paga dos EUA, que acontece esta semana em Chicago, duas decisões recentes acenderam a luz amarela sobre o futuro da indústria. Uma das decisões diz respeito ao Open Internet Rule, que classificou serviços de banda larga como serviços de telecomunicações. A outra decisão foi a indicação de veto à fusão Comcast/Time Warner Cable, que acabou abortada em decorrência da sinalização de exigências regulatórias mais duras do que as imaginadas inicialmente.

Para Craig Moffett, um dos mais antigos renomados do mercado de telecomunicações dos EUA e sócio da MoffettNathanson, "Washington interferiu duas vezes esse ano de maneira decisiva e isso é um desafio tremendo para o futuro da indústria. Eu acho que o Title II é um controle de preços. Acho que teremos uma pressão sobre os preços de banda larga e se isso acontecer será um negócio muito diferente daquele que temos hoje. Se isso acontecer será outra realidade", disse ele.

O temos dos analistas é que a FCC, ao estabelecer as condições isonômicas de competição na Internet, impeça as operadoras de banda larga (as as operadoras de cabo são hoje as principais provedoras de banda larga) de cobrarem por limites de uso à rede em vez de modelos com franquias ilimitadas. "Quando o governo anunciou a barreira de 25 Mbps para classificar os serviços como banda larga acabou colocando um colocando um desincentivo para investimentos. Veio do nada, e isso incomoda", disse Jessica Reif Cohen, analista do Bank of America Merrill Lynch.

Para Marci Ryvicker, analista da Wells Fargo Securities, o principal desafio para o mercado de TV paga, do ponto de vista de Wall Street, é a insegurança. "Haverá ou não regulação de preço de banda larga? Se isso acontecer, qual o impacto sobre os preços das ações e valor das empresas. Ainda não sabemos".

A resistência da FCC à fusão entre Comcast e Time Warner Cable também assustou os analistas que participaram da INTX. "Foi uma frustração porque achamos que isso geraria grande valor", disse Jessica Cohen. Para Moffett, "o problema da decisão da FCC sobre a Comcast é que o potencial market share criado, na minha opinião, seria uma ameaça para bloqueio do Netflix,  e por isso foi barrada pela FCC". Para Ryvicker, é pouco provável que a Comcast fosse fazer qualquer coisa para prejudicar a Netflix ou qualquer outro OTT "porque isso não faz sentido do ponto de vista do usuário, e o Departamento de Justiça errou o alvo ao ver isso como um problema".

Para os analistas, o mercado de TV paga ainda tem muitas oportunidades nos EUA sobretudo com a banda larga e com a oferta de serviços corporativos. Também não parece haver pouca preocupação com os modelos mais disruptivos, como o da Netflix, pelo menos entre os analistas. "As pessoas estão indo mais para o Netflix, e isso é um fato,  e as empresas de conteúdo vão ganhar menos dinheiro com esse modelo. Por isso terão que cobrar mais do Netflix. Simples assim", disse Marci Ryvicker, da Wells Fargo.

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