Saída da LG pode resultar em duopólio de Samsung e Motorola no Brasil

Google Android. Foto: Pixabay

[Publicado no Mobile Time] O término da operação global da LG pode trazer danos ao mercado de handsets no Brasil, como varejistas, fornecedores e consumidores. Segundo fontes ouvidas em sigilo por Mobile Time, a saída da LG – terceira principal fabricante do Brasil com 12% do market share – abre espaço para o duopólio de Samsung e Motorola. Na visão dos especialistas, as duas companhias respondem pela maior parte da fatia de mercado e poderão "ditar o preço dos dispositivos aos varejistas", o que poderia ser ainda mais acentuado com a chegada do 5G e a necessidade de novos aparelhos compatíveis com o padrão standalone.

Diante desse cenário, um dos receios é o aumento do mercado cinza no Brasil. Na previsão a IDC, esse segmento deve aumentar 4,5% neste ano no Brasil. Em 2019, o grey market cresceu 345%. Em 2020, aumentou 0,5%.

Intermediário

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Outra mudança que deve ocorrer é na faixa de preço de aparelhos intermediários no Brasil, que era disputada pela LG  junto com Samsung e Motorola. Segundo Renato Meireles, analista de mercado em mobile phones & devices da IDC Brasil, o segmento que representa 82% de todas as vendas de smartphones no Brasil terá uma briga acirrada para preenchimento dos 12% deixados pela sul-coreana.

"A briga está aberta. Vai ganhar quem atender o consumidor final, especialmente na demanda pelo intermediário premium", avalia Meireles. Pelos dados da IDC, os smartphones abaixo de R$ 1,1 mil representam 40% das vendas, e aqueles até R$ 1,9 mil, 42%. É nesta última faixa de preço que há maior interesse do consumidor no momento, de acordo com Meireles.

Sem surpresas

Para Felipe Mendes, general manager da GfK na América Latina, a saída da fabricante não é uma surpresa. Em sua visão, a companhia sul-coreana estava "se reorientando estrategicamente no mercado" com mais tecnologia embarcada e aumento da relevância nos segmentos de automotivos, smart home e de baixo consumo de energia.

"O mercado de smartphones é caro de se participar, uma vez que é necessário investir muito em inovação, parcerias, marketing e distribuição", disse Mendes, em resposta por e-mail a esta publicação. "Por ter muito dinheiro envolvido, acreditamos ser um segmento no qual há muita oportunidade e necessidade de otimização desses investimentos. Temos indicado a nossos clientes globais que tenham o máximo de informação antes de investir em algum mercado, para serem mais assertivos e lucrativos, ao mesmo tempo", completou.

Pelo lado operacional, Meireles vê com estranheza a saída da LG do mercado, pois a companhia havia voltado a crescer em vendas no Brasil. Além disso, lembra que faria mais sentido se tivesse saído em anos piores, entre 2017 e 2019. Contudo, compreende que os seguidos prejuízos operacionais desde 2015 pesaram na decisão da fabricante.

Meireles acredita que, eventualmente, a LG pode voltar ao mercado por ser forte em outras categorias e pelo fato de ter construído uma marca "muito forte" em dois mercados maduros e bem difíceis em mobile: Brasil e Estados Unidos.

Entenda

Em janeiro deste ano começaram os boatos de que a sul-coreana pararia de fabricar smartphones. E, na noite do último domingo (4), a LG confirmou o fim de sua operação global de handsets. Em nota divulgada pela companhia, a divisão sofre prejuízos operacionais a 23 trimestres consecutivos, desde o segundo semestre de 2015, o equivalente a US$ 4,1 bilhões. De acordo com a IDC, a LG terminou 2020 com 12% do mercado de smartphones no Brasil, um aumento de dois pontos percentuais ante o ano anterior. O País era o principal mercado da empresa no mundo, à frente dos EUA, onde tinha 10% de fatia de mercado e era o terceiro player do setor, e México, com 2%.

Em uma análise rápida, Meireles explica que a saída da LG está ligada a diversos fatores regionais. No Brasil, a empresa perdeu mercado por demorar em atender as demandas do consumidor. Somente em 2019 a empresa se mexeu, quando aprimorou a linha K com melhores configurações em câmera, bateria e tela. Nos Estados Unidos, o problema foi a maturidade do consumidor, que, ao caminhar para terceiro, quarto ou quinto smartphone, procurou modelos mais robustos e premium. O analista da IDC lembra ainda que a companhia não teve sucesso em mercados emergentes como Índia por não ter preço competitivo ante seus rivais.

Impactos no Brasil

Como primeiro efeito da saída da empresa no Brasil, o Procon-SP notificou a LG para entender como será o processo do encerramento de atividades. O órgão de defesa do consumidor deseja saber: quais os produtos que foram lançados nos últimos três anos; período estimado de vida útil dos handsets; plano de atendimento; esclarecimento sobre a rede de assistência técnica; funcionamento dos canais de atendimento; por quanto tempo ficarão disponíveis no mercado ofertas de componentes, peças de reposição e acessórios para os aparelhos.

A data para a LG enviar as respostas ao Procon paulista é até 9 de abril.

Desde o anúncio na noite de domingo, a companhia foi procurada por Mobile Time para explicar sua saída, como ficará a relação com os consumidores e o futuro de suas unidades fabris no Brasil, em Taubaté e em Manaus. Contudo, a empresa ainda não se posicionou sobre o tema.

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