Custo da banda larga é maior obstáculo para acessibilidade, aponta estudo

A disponibilidade da conexão não significa necessariamente a acessibilidade do preço do serviço, segundo apontou um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) em parceria com a Alliance for Affordable Internet (A4AI) divulgado nesta quinta-feira, 4. O levantamento feito com 183 países chega à conclusão de que, por exemplo, quase metade da população com cobertura 4G permanece offline no mundo justamente porque o acesso é caro. 

O estudo também mostra que há uma grande disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. A banda larga móvel com pelo menos 1,5 GB de franquia custa quatro vezes mais nas economias mais pobres. 

Ainda assim, o relatório aponta um declínio do preço médio dos serviços fixos e móveis no mundo, ainda que lento. O problema é que o custo da cesta dos serviços móveis continua proibitivo em 39 dos 43 países menos desenvolvidos, enquanto na banda larga fixa essa é a realidade para 32 das 33 economias.

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Preço x PIB per capita

Nas metas de desenvolvimento sustentável da Comissão de Banda Larga da ONU para 2025, está estabelecido que a o serviço de Internet de entrada não deve custar mais do que 2% do PIB per capita. A média global em 2020 da banda larga móvel já atinge esse patamar, com 1,7%, mas o preço médio da banda larga fixa de baixo custo, com franquia de pelo menos 5 GB, está com 2,9%.

Outro fator é o recorte: os países desenvolvidos puxaram essa média global para baixo, com uma taxa de apenas 0,6% do PIB per capita para a banda larga móvel. Considerando apenas as nações em desenvolvimento, esse preço médio sobe para 2,5%. O relatório diz que 106 países chegaram à meta da ONU, enquanto outras 84 economias ainda estão abaixo (45% do total). 

Houve poucas mudanças no preço médio da cesta da banda larga fixa em 2020, ainda que a velocidade tenha aumentado (de 30 para 40 Mbps em nações desenvolvidas e de 3 para 5 Mbps nos em desenvolvimento). Confira no gráfico abaixo.

Gráfico da UIT e da A4AI mostrando a variação de velocidade média da cesta de entrada da banda larga fixa

Nos países mais ricos, esse valor permaneceu em 1,2% do PIB per capita, enquanto nos países em desenvolvimento essa taxa sobe para 4,7%. Dos 178 países da pesquisa, 67 países registraram uma taxa abaixo de 2% – ou seja, 111 (56% do total) estariam abaixo da média recomendada.

Em comunicado, o diretor do gabinete de desenvolvimento de telecomunicações da UIT, Doreen Bogdan-Martin, afirmou que os serviços nos países menos desenvolvidos "permanecem proibitivamente caros, mesmo para usuários de nível básico". 

O relatório e os dados estão disponíveis clicando aqui.

1 COMENTÁRIO

  1. No Rio de Janeiro, ICMS de 28% + 4% de fundo de pobreza, 32% de carga tributária direta só pra começo de conversa. A banda larga no Rio de Janeiro é baratíssima porque as empresas de telecom tem um lucro ridículo.

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