Parlamento do Reino Unido critica política 5G que baniu Huawei

Foto: Pixabay / Pexels

A política do Reino Unido para fornecedores 5G que acarretou na exclusão da Huawei das novas redes do país foi criticada pela Casa dos Comuns em relatório publicado nesta quinta-feira, 4.

O documento foi assinado por parlamentares do Comitê de Ciência e Tecnologia britânico. Fruto de um inquérito conduzido pela Casa, a avaliação não advoga por uma liberação da Huawei no país, mas aponta erros na estratégia empreendida pelo governo de Boris Johnson que podem prejudicar o 5G no país.

Entre eles, o entendimento que a abordagem adotada pelo Reino Unido não é suficiente para um efeito no curto prazo, deixando apenas dois grandes fornecedores como opção 5G após a exclusão da Huawei anunciada em julho passado.

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"A ameaça potencial de fornecedores estrangeiros de infraestrutura de telecom e a concentração deste mercado no Reino Unido têm sido conhecida há muitos anos. É, portanto, decepcionante que o governo e seus predecessores já não tenham desenvolvido e iniciado uma estratégia para diversificar a cadeia de suprimentos de infraestrutura de telecomunicações do Reino Unido", afirmou o relatório.

Medidas

Entre as medidas sugeridas para reverter o quadro estão a diminuição, já dentro de seis meses, de barreiras para vendors entrantes – com preferência para os que tenham experiência com gerações móveis anteriores, como 2G e 3G. Instalações públicas de testagem de equipamentos que promovam maior confiança e cooperação com órgãos internacionais também foram mencionadas.

O parlamento britânico também sugeriu aumento nos investimentos de P&D em telecom do país: para tal, o entendimento é que os 250 milhões de libras inicialmente reservados para a implementação da nova abordagem para fornecedores sejam insuficientes. O uso do recurso para substituição de equipamentos da Huawei também foi questionado.

Open RAN

Os parlamentares ainda teceram comentários sobre a decisão do governo de promover o padrão de redes de acesso abertas e interoperáveis (Open RAN). Segundo o relatório, o Reino Unido deve sim apostar e buscar a liderança na área, mas tendo em mente que a novidade não é suficiente para mitigar sozinha preocupações de segurança.

"O governo está certo em apoiar o desenvolvimento e adoção de padrões e maior interoperabilidade como um meio potencial de diversificar o mercado de fornecedores de equipamentos de telecom. Contudo, nem o sucesso do Open RAN nem o impacto positivo sobre a segurança geral das telecomunicações estão garantidos", sinalizou o comitê.

Tecnologia emergente

De forma geral, o parlamento britânico apontou que um maior cuidado com a infraestrutura 5G deve ser replicado nos demais campos de tecnologias emergentes – como inteligência artificial, tecnologia quântica e biologia sintética.

"Há um grande risco de que desafios urgentes de segurança enfrentados pelo Reino Unido no setor de telecom sejam indicativos de um desenvolvimento geopolítico mais amplo e crescente. O governo não deve considerar os problemas apresentados pelo 5G como únicos, mas sim como um provável ilustrativo de um desafio maior", afirmou o grupo.

Neste sentido, a recomendação é que seja elaborada uma avaliação sobre atuais e potenciais divergências tecnológicas entre o Reino Unido e demais países. O comitê sugere ao governo 12 meses para elaboração do documento.

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