Bradesco e GP Investimentos se unem de olho no mercado de torres

Com aporte de cerca de R$ 100 milhões, o fundo de private equity Bradesco anuncia a aquisição de fatia da companhia de torres de rede móvel BR Towers, criada pela gestora GP Investimentos há quatro meses. De acordo com divulgado pela companhia nesta segunda-feira, 4, isso deverá colocar a empresa em uma posição favorável para aproveitar o crescimento e oportunidades do mercado de infraestrutura de telecomunicações. Tanto que a GP Investimentos também anunciou a incorporação da Sitesharing, empresa de torres que atua no mercado há mais de dez anos e que se torna agora acionista da BR Towers.

Com a entrada da Sitesharing, a composição societária da BR Towers fica assim: 15% para a SS Tower Participações S/A (controlada por acionistas fundadoras da Sitesharing) e 85% detidos pela BRT Holding 2 S/A. Esta, por sua vez, é controlada indiretamente pela GP Investimentos, que tem 70% do capital total, enquanto o Fundo de Investimento Multisetorial Plus, administrado pelo Banco Bradesco BBI S/A, detém os 30% restantes.

Segundo o presidente da BR Towers, Mauricio Giusti, a intenção é justamente ganhar força no mercado. "A lógica desta operação é a gente trazer a capacidade operacional, a experiência e a credibilidade da Sitesharing para alavancar o modelo de crescimento", afirma. Aliada a isso, há a capacidade de investimentos do fundo do banco privado. "O Bradesco traz toda a força com o fundo de private equity, que é parte do grupo e tem experiência muito grande com processo de infraestrutura. Injeta mais combustível, mais capital para este modelo de crescimento grande que temos". 

A empresa hoje tem duas mil torres e rooftops, compradas do portfólio da Telefônica/Vivo em setembro de 2012 por R$ 503 milhões, mas a intenção é aproveitar a carteira de outras teles para proporcionar crescimento não-orgânico. "Algumas operadoras começaram a fazer o processo de venda de portfólio de infraestrutura, então teremos um crescimento muito maior do que o esperado", diz, alegando não poder divulgar os números exatos da expectativa. De qualquer forma, a BR Towers pretende obter mais sites dessa forma ou construindo por "built to suit", ou seja, sob encomenda da operadora em modelo de contrato de longa duração.

 Para as operadoras, fica mais barato alugar a estrutura metálica de uma torre, que Mauricio Giusti não considera como "um investimento prático" para as empresas. Segundo ele, para construir as torres é preciso uma quantia que varia de R$ 200 mil a R$ 1 milhão, dependendo das condições geográficas e altura da estrutura na localidade.

Giusti afirma que há um plano base para a BR Towers, mas que é passível de mudanças devido à dinâmica do mercado, como a oferta maior de sites ou benefícios conseguidos eventualmente com a Lei das Antenas. "A gente espera crescer mais em função de potenciais aquisições e compras de portfólios de torres", diz, mencionando as obrigações das teles com as redes 3G e 4G e a própria demanda do consumidor por maior qualidade de serviço das prestadoras. "Apesar de termos otimismo em relação à Lei das Antenas, nosso plano de negócios considera o cenário que temos hoje, que é difícil e demorado".

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