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Plataforma do NIC.br apresenta grau de acessibilidade dos sites governamentais

Uma plataforma desenvolvida pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br), do NIC.br, com o apoio técnico do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/UFMG), vai ajudar a dar mais transparência ao nível de acessibilidade dos sites governamentais brasileiros. Batizada de TIC Web Acessibilidade, ela foi lançada nesta sexta-feira, 3, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, durante o Todos@Web 2021, evento online em que foram apresentados projetos e ações voltadas à promoção de uma Web mais aberta e inclusiva.

A nova aplicação avalia o nível de conformidade dos sítios sob o domínio gov.br com o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMag), apresentando um panorama dessa situação e os erros mais comuns encontrados nas páginas.

“A eliminação de barreira de acesso à Web pelas pessoas com deficiência não é só uma obrigação moral e social, mas também legal. É uma exigência do artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) que estabelece que é obrigatória a acessibilidade nos sítios da Internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência. Essa é uma das principais conquistas da comunidade de acessibilidade na Web”, afirma Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br/NIC.br.

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“Ao criar um site, é preciso ter em mente que um público diverso vai acessá-lo. Se isso não for considerado, muitos usuários encontrarão dificuldades ou serão excluídos, em especial, as pessoas com deficiência. Por isso é importante a análise feita pela plataforma, que, por ora, conta com 418 sítios e mais de 267 mil páginas avaliadas”, afirma Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento Web do Ceweb.br, acrescentando que a TIC Web começou como uma pesquisa, em 2010.

Num primeiro momento, a plataforma permitia checar apenas se o site estava ou não em conformidade com o eMag. “O problema desse formato é que uma página que contava com apenas um erro era colocada no mesmo status de outras com diversos erros, por exemplo”, explica Ferraz. A partir da atualização da ferramenta de validação ASES Web, feita pelo governo federal, foi possível checar os níveis de acessibilidade. “Instalamos essa ferramenta na nossa plataforma e iniciamos uma verificação com maior detalhamento, com mais indicadores e informações mais completas para a correção das barreiras de acesso. A partir disso, conseguimos não apenas verificar se o site estava em conformidade, mas identificar os erros para que pudessem ser retificados, surgindo então esse novo modelo da TIC Web”, completa.

A plataforma fornece detalhes sobre os sites analisados, como as notas que receberam e a quantidade de erros e avisos em cada um deles. Para a aplicação se tornar de uso contínuo, a coleta e verificação dos sites, que antes acontecida apenas uma vez ao ano, passou a ser constante. Agora, depois da primeira coleta, a TIC Web verificará periodicamente as páginas que sofreram atualização e as examinará.

Ranking

Com o intuito de tornar a busca por informações mais simples, foram instalados filtros na plataforma. “Consigo escolher, por exemplo, apenas os sites que obtiveram nota acima de 95% de conformidade. Ou filtrar sítios pelo número de páginas, evitando comparações desequilibradas”, ilustra Ferraz. Quem navega pode checar os dez melhores sites, fazer buscas por unidade federativa e verificar os erros mais comuns encontrados. “Conseguimos saber a quantidade de erros relacionados a cada uma das diretrizes do eMag, e cada tipo de erro possui um link que direciona o usuário para instruções sobre como resolvê-lo”, afirma o especialista do Ceweb.br.

O principal objetivo da iniciativa é dar mais transparência aos sites governamentais em relação à acessibilidade. “A verificação de acessibilidade já era pública e disponibilizada pelo Governo Federal. O que fizemos foi colocar tudo numa única plataforma, assim, qualquer cidadão pode analisar e comparar. A Lei Brasileira de Inclusão, também conhecida como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, determina que os sites precisam ser acessíveis, e nossa plataforma contribui para essa discussão”, finaliza Ferraz.

Cartilha de acessibilidade

Outra novidade apresentada durante o Todos@Web, evento realizado pelo Ceweb.br|NIC.br, foi o 5º fascículo da Cartilha Acessibilidade na Web, “Mantendo o Conteúdo Acessível”, que aprofunda uma discussão levantada na edição anterior sobre como difundir a cultura de acessibilidade nas empresas.

“O primeiro fascículo tem caráter introdutório e apresenta os conceitos de acessibilidade. O segundo foca na questão jurídica, destacando por que os sites precisam contemplar a acessibilidade. Já o terceiro explica quem é o público-alvo da acessibilidade, enquanto o quarto mostra como introduzi-la nas empresas, com orientações sobre como abordar o tema no ambiente corporativo, desenvolver projetos na área e falar da cultura de acessibilidade. O quinto, por sua vez, aprofunda como difundir a cultura da acessibilidade nas organizações, destacando a importância do design, mas sem esmiuçar as questões técnicas, porque a cartilha deve ter o seu conteúdo consumido por qualquer pessoa, sem dificuldade. Ainda estão previstos outros dois fascículos para essa série”, resume Reinaldo Ferraz.

A publicação é do Ceweb.br|NIC.br e W3C Capítulo SP, com apoio institucional do Movimento Web Para Todos (WPT), em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

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