Cisco quer priorizar Wi-Fi na destinação da faixa de 6 GHz

A Anatel deverá discutir na próxima semana as propostas que serão apresentadas pela delegação brasileira na Conferência Mundial de Radiocomunicação de 2019 (CMR 2019), a ser realizada em novembro pela União Internacional de Telecomunicações, no Egito. Uma delas é a da destinação da faixa de 6 GHz para o serviço móvel (IMT), conforme adiantado por este noticiário nesta semana. A fornecedora Cisco, no entanto, tem o entendimento de que essa frequência deveria ser priorizada para aplicações não licenciadas – notadamente, para o padrão Wi-Fi 6 (nome comercial do padrão 802.11 ax).

Conforme explica o diretor de relações governamentais da companhia, Giuseppe Marrara, isso permitiria seguir a movimentação internacional. "Em vários países, e é a mensagem que a Cisco tem passado, tem se discutido para a extensão do Wi-Fi 6 [com a faixa]", declarou ele em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 3, em São Paulo. A justificativa é que isso permitiria "mais espectro livre, não tributado, com uma série de vantagens para o País".

Marrara diz que a empresa também vê vantagens na aplicação da faixa para 5G, argumentando que mais espectro para a tecnologia é "sempre melhor". Por outro lado, entende que a destinação ao Wi-Fi poderia ser vantajosa também por trazer capacidade adicional para o offload do tráfego da rede móvel. De qualquer modo, a preparação das operadoras na modernização de infraestrutura – do core até a rede de acesso – é um mercado para a fornecedora. "Temos interesse nas duas coisas", declara. "Mas do ponto de vista de política de espectro, acreditamos que o 6 GHz é mais necessário no momento para o Wi-Fi 6." Segundo Marrara, a Cisco já apresentou sua proposta e seguirá acompanhando o caso até que a agência se decida. "Sim, já nos posicionamos com a Anatel em relação a isso".

O executivo diz que a tendência "em algumas geografias" é a de destinar o espectro para o Wi-Fi, mas confirma que a Anatel estaria mesmo pensando no serviço móvel. "Hoje no Brasil, a visão regulatória está um pouco mais tendente ao IMT, mas ainda temos algumas discussões para chegar lá. Além disso, tem a discussão da banda C, então tem outras coisas de espectro antes disso", declara.

A Cisco não é a única a mostrar interesse na aplicação da faixa de 6 GHz. Emissoras de TV e empresas de Internet também demonstram intenção de ficar contra as empresas de telecomunicações. Atualmente, a frequência está destinada a serviços por satélite fixos (FSS) e de radiodifusão (BSS).

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