On Telecom e Sky investem em novos serviços para o TD-LTE

Tanto a Sky quanto a On Telecom (antiga Sunrise) possuem licenças para atuar na faixa de 2,5 GHz no Brasil, mas ambas se diferem das operadoras móveis por adotar a estratégia de oferecer banda larga pelo padrão TD-LTE. Também em comum há o fato de as duas empresas não pretenderem entrar no mercado de telefonia móvel, mas já planejarem disponibilizar ao cliente novos produtos, como serviços de voz. Entretanto, faltam ainda definições e sobram incertezas.

Segundo o CEO da On, Farès Nassar, o serviço de voz sobre LTE no padrão TD está ainda sendo desenvolvido (a operadora sul-coreana SK Telecom lançou em agosto do ano passado o primeiro serviço comercial do mundo com a tecnologia), mas, "se demorar muito", poderá acabar recorrendo à tecnologia de VoIP. "Estamos olhando para voz, planejamos oferecer isso em um futuro próximo", declarou ele durante a conferência Broadband Latin American em São Paulo nesta quarta-feira, 3.

O próprio padrão TD-LTE foi escolhido, diz ele, por funcionar melhor para downstream. "Funciona melhor e, como não temos voz em GSM, faz mais sentido assim". Outro fator fundamental foi a latência, e não a velocidade final. Nassar diz que está "educando o consumidor" em relação a isso, dando ao cliente um período de um mês para testes, mas que a resposta tem sido positiva.

A On Telecom pode também lançar serviços over-the-top (OTT). "Não temos a complexidade de um quadplay, até porque temos capacidade limitada de célula. Estamos olhando mais no tipo de vídeo on-demand (VOD) em vez de linear", explica. A empresa está estudando os modelos de negócios que pode adotar, assim como os parceiros, oferecendo conteúdo local. A companhia analisa ainda a oferta de serviços de segurança e monitoramento. Para dar conta de tudo, ela deverá comprar outras frequências herdadas do serviço de MMDS, desde que estejam dentro do perfil demográfico da empresa.

Demanda reprimida

O diretor de engenharia e banda larga da Sky, Luis Otávio Marchezetti, tem discurso semelhante ao da On em relação à prioridade da latência em vez da velocidade final. "Precisamos de algo com qualidade de serviço fim-a-fim, com estabilidade de conexão. O que mais incomoda o usuário de banda larga no País não é a velocidade, mas a estabilidade", declara. A empresa no momento não possui planos concretos, mas considera serviços agregados, como interatividade. "O futuro vai nos dizer. Quando demandarem, teremos condições e tecnologias para fazer. Neste momento, não temos aplicações relacionadas, mas se o mercado e o cliente pedirem, terão". Por ser uma tecnologia nova, a Sky já consegue agregar características como MIMO (envio de sinais simultâneos) e Beamforming. "Daqui a dois ou três anos teremos o TD-LTE Advanced e poderemos competir com certeza com velocidades próximas à da fibra", garante.

Voz também é uma possibilidade, embora ele não especifique se seria VoIP ou VoLTE. "Pode ser que façamos em algum momento, mas seria fixa", revela.

A Sky opera em Brasília desde dezembro de 2011, com velocidades de 2 Mbps e 4 Mbps, cobrindo atualmente 600 mil lares e 10 mil assinantes. "Agora chegou a hora de expandir", diz Marchezetti. A operadora adquiriu quatro empresas de MMDS de 2007 a 2012 (ITSA, ACOM, TV Show e MMDS Bahia) para obter 70 MHz de espectro na faixa de 2,5 GHz, além de 35 MHz no leilão do 2,5 GHz no ano passado por R$ 91 milhões. Assim, a companhia espera cobrir 665 cidades, totalizando 16 milhões de domicílios. Segundo o executivo, são 15 capitais, concentradas nas regiões Norte e Nordeste. "Nosso plano está baseado na demanda reprimida do mercado."

Assim como as demais teles nacionais, a Sky reconhece que o foco no momento é "compartilhar o máximo possível". A companhia utiliza backbone da Telebras. "Estamos evitando a construção de sites, buscando sempre o compartilhamento. Estamos fazendo um deployment relativamente grande neste segundo semestre", finaliza Marchezetti.

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