Huawei: motivação dos ataques dos EUA é comercial

A Huawei contra-atacou os ataques promovidos pelo governo dos Estados Unidos e em resposta à pressão do governo do Reino Unido por regras mais restritivas para o 5G. O vice-presidente da Huawei local, Victor Zhang, afirmou em comunicado na terça-feira, 2, que o inquérito promovido pelo comitê de defesa do parlamento britânico "concentrou o desejo dos EUA de uma companhia nacional de 5G que possa 'se equiparar' ou 'vencer' a Huawei". E com isso, afirmou: "É claro que é a posição de mercado, em vez de preocupação com a segurança, que baseia o ataque dos EUA na Huawei".

Zhang afirmou que o comitê do parlamento "não tem nenhuma evidência para apoiar substancialmente as alegações". Reiterou que a Huawei abraça a competição "aberta e justa" e que está interessada em promover a inovação e redução de custos. Destacou também que, por 20 anos, trabalhou com as operadoras britânicas para construir redes "robustas e seguras" nas tecnologias 3G e 4G, adotando a mesma abordagem para o 5G.

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O Reino Unido havia estabelecido regras que restringiam o emprego de tecnologia de fornecedores considerados "não seguros" – na prática, referindo-se às chinesas Huawei e ZTE. No entanto, em maio, a imprensa britânica afirmou que o primeiro ministro, Boris Johnson, estaria ordenando a elaboração de um plano para zerar a participação da fornecedora chinesa na infraestrutura de telecomunicações da nação dentro de três anos.

Mais acusações

Enquanto isso, o vazamento sistemático de supostas provas contra a Huawei continuou nesta quarta-feira, 3. A agência de notícias Reuters afirmou em reportagem ter documentos que mostrariam que a chinesa escondeu a operação no Irã após as primeiras notícias acusando a CFO da companhia, Meng Wanzhou, que foi presa no Canadá sob acusação de fraude ainda no final de 2018. A acusação é que a empresa teria vendido equipamentos de computadores dos Estados Unidos para o Irã, o que violaria a segurança nacional norte-americana. 

Segundo a Huawei, a empresa que realizou negócios no Irã, a Skycom, seria apenas uma parceira local. A reportagem da Reuters afirma que a chinesa "efetivamente controlou a Skycom". Os documentos que provariam isso incluiriam registros de negócios, como "memorandos, cartas e acordos". Ainda de acordo com a agência de notícias, a Huawei teria, no começo de 2013, tentando se separar da Skycom, chegando a fechar escritórios e trocar a equipe de diretores da suposta subsidiária.

Desde o início das investigações, a Huawei tem alegado inocência e afirmado que é alvo de uma guerra comercial dos Estados Unidos para impedir o avanço da China no 5G. Apesar das repetidas acusações e sanções desde o início da crise, em 2018, o governo norte-americano não apresentou provas concretas no caso até o momento. De acordo com reportagem da Down Jones Newswire publicada no jornal Valor Econômico nesta quarta-feira, a sueca Ericsson tem emergido como a fornecedora de telecomunicações "mais bem-sucedida" justamente devido aos bloqueios contra a Huawei. 

Brasil

No Brasil, a situação da fornecedora ainda está sem maiores definições. Enquanto a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) diz que a ausência da Huawei seria prejudicial ao País na implantação do 5G, ao mesmo tempo afirma a palavra final é do presidente Jair Bolsonaro, que costuma seguir direcionamentos do presidente norte-americano, Donald Trump. O Planalto já está sendo "instrumentalizado" sobre o assunto por diferentes esferas do governo, incluindo as pastas da Economia, Relações Exteriores, MCTIC, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Anatel, além da própria Secretaria Especial do PPI.

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