TV online: operadores, canais e grupos de mídia em posições diferentes

A discussão sobre os modelos que os operadores de TV a cabo e programadores dos EUA seguirão para enfrentar a distribuição online de conteúdos foi o tema recorrente dos três dias da NCTA Cable 2009, que aconteceu esta semana em Washington.
Essa é a grande preocupação do momento entre operadores. E se é que é impossível ter consensos sobre o assunto, algumas conclusões podem ser tiradas dos debates do evento de Washington e sobre a situação atual do mercado norte-americano nesse quesito.
O primeiro aspecto a ser destacado é que os operadores de TV paga estão, de fato, preocupados, porque entendem que existe uma grande perda de valor para o seu produto quando conteúdos ficam disponíveis na internet de graça. Ainda que isso possa alavancar a venda de banda larga, o risco é muito grande para que se deixe a questão avançar sem uma resposta. Aliás, quem definiu bem a situação foi Mike Fries, presidente da MSO Liberty Global. "O que temos é uma questão a ser resolvida, mas ainda não é um problema".

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Já para os programadores e canais de TV por assinatura, existe a percepção de que não é possível deixar os operadores na mão na questão do vídeo online. Existe uma relação histórica entre canais e operadoras, e a principal fonte de receita destes canais ainda é o que eles recebem das empresas de distribuição. No entanto, os programadores sabem que existe uma demanda grande e crescente dos usuários para ter acesso aos conteúdos via outras plataformas, e o risco de pirataria é preocupante. Além disso, novas plataformas podem representar, para os canais pagos, novas fontes de receita. Quem sintetiza bem a visão dos programadores é a Discovery. Seu presidente, David Zaslav, disse em debate no último dia da Cable 2009: "temos o conteúdo, temos que ganhar dinheiro e temos que investir para fazer mais conteúdo. Isso move a indústria de cabo. Nós não ignoramos que as pessoas estão buscando conteúdos em outras plataformas. A discussão está colocada, mas a verdade é que não temos modelo. Nós, por exemplo, temos 20 minutos de comerciais na TV por hora no modelo tradicional. Como é que podemos passar para a Internet, onde não dá para colocar um comercial de mais de 30 segundos por show?".
Por fim existem os grandes grupos de comunicação, que controlam canais pagos, alguns operadoras TV paga e, em alguns casos, também emissoras de TV aberta.
São justamente as emissoras de TV aberta que, nos EUA, têm sido mais flexíveis ao colocar seus conteúdos na internet. Há duas razões para isso: a primeira é que nos EUA, como os programas de horário nobre são, em geral, séries, a perda de um episódio em uma semana representa, para os broadcasters, um risco de perda da audiência daquele telespectados na semana seguinte. Ao contrário do cabo, a possibilidade de reprise na TV aberta é bem mais limitada. A internet ajuda, então, os telespectadores a recuperarem episódios perdidos. É o chamado modelo "catch up". Outra razão que fez com que os broadcasters dos EUA fossem para a Internet é que o modelo de publicidade adotado na TV aberta pode ser replicado na web com alguma facilidade. E, por fim, as emissoras de TV aberta decidiram colocar seus programas na Internet para não perderem audiência para a pirataria.
No caso dos canais pagos, o modelo é mais complicado. Primeiro, porque os operadores de cabo estão pagando por aquele conteúdo. Depois, porque operadores e programadores vendem publicidade separadamente. E, por fim, porque o valor da TV paga está justamente no fato de ter conteúdos exclusivos.
A proposta da Time Warner Cable, chamada de "TV Everywhere" e discutida durante esta edição da Cable 2009, consiste em criar um modelo de distribuição de conteúdos online por meio de autenticação. Se o usuário assina aquele conteúdo em alguma plataforma, se o usuário tem aquele determinado canal por meio da TV a cabo (ou outra plataforma), então ele seria autenticado e teria acesso ao mesmo conteúdo pela Internet. É um modelo que tem a simpatia de muitos programadores e dos operadores, mas que envolve uma complexidade técnica e uma necessidade de integração gigantescas entre diferentes operadores e plataformas. Sem falar na dificuldade de conciliar os interesses de venda de publicidade. Tanto é assim que a Time Warner só tem o projeto pronto para a HBO, que não comercializa os intervalos.
TV 2.0
Parte dessa discussão poderá ser vista também no Brasil, em evento promovido pelas revistas TELA VIVA e TELETIME. O Congresso TV 2.0, que acontece dia 14 de abril, em São Paulo, tem como foco justamente a distribuição de conteúdos de TV em múltiplas plataformas e formatos. O palestrante de abertura do evento é Carlos Sanchez, diretor executivo para a América Latina da Warner Bros. Digital Distribution. Ele é responsável pelos negócios de distribuição digital da Warner na região e, entre suas funções, está o controle, o licenciamento e o marketing dos conteúdos da Warner em diversas linhas de negócios, como video-on-demand e venda/locação digital.
Além de Sanchez, o evento ainda traz executivos de canais abertos, portais de internet e operadoras de TV paga. Mais informações sobre o evento estão disponíveis no site www.teletime.com.br/eventos ou pelo telefone 0800 77 15 028.

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