Brasil vai propor requisitos técnicos do 6 GHz como padrão para as Américas

Os recém-aprovados requisitos técnicos para uso não licenciado de toda a faixa de 6 GHz pelo WiFi 6E serão propostos pela Anatel como padrão de harmonização para as Américas. A informação foi revelada pelo superintendente de Espectro e Órbita da agência, Agostinho Linhares.

"Na próxima reunião da Citel [Comissão de Telecomunicações Interamericanas] que vai ocorrer em abril, o Brasil vai apresentar contribuição e propor a harmonização do 6 GHz na região, considerando a regulamentação já aprovada aqui", sinalizou Linhares durante evento virtual nesta quarta-feira, 3. O encontro deve ocorrer entre os dias 5 e 9 do mês que vem.

Para o superintendente, a decisão sobre os 6 GHz é a mais importante tomada pela Anatel considerando o impacto nos próximos anos. Ele também sinalizou que certificações de equipamentos WiFi 6E sob os novos requisitos técnicos podem começar a ser concluídas dentro de duas semanas. O ato aprovado pela agência na semana passada, que estabelece limites de potência para dispositivos indoor, entrou em vigor na segunda-feira, 1º.

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Ainda na visão de Linhares, o fato de o Brasil ser um dos primeiros mercados a liberar toda a capacidade da faixa (1.200 MHz) para o WiFi 6E vai permitir que o País se torne uma referência regional e até mesmo global para o tema. Até o momento, Estados Unidos, Coreia do Sul e Chile são outras nações que seguiram o mesmo caminho. Na Argentina, contudo, o pleito das operadoras de telecomunicações de reservar aproximadamente metade da faixa para o 5G deve prevalecer, por isso a importância de um esforço de harmonização regional. A definição dessa destinação para uso não licenciado na Região 2 (Américas) foi feita na última Conferência Mundial de Radiocomunicação (WRC-19).

Desafios

A necessidade de harmonização do uso de 6 GHz foi um dos desafios apontados pela GSMA. Segundo o diretor de políticas públicas na América Latina da entidade da indústria móvel, Gabriel Gallitto, a discrepância entre os caminhos escolhidos nas Américas e na Europa (que só destinou a metade inferior da faixa para WiFi 6E) podem ser prejudiciais à indústria, apesar de já terem sido definidos no WRC-19. O uso da porção superior do espectro para IMT (serviço de celular) no mercado europeu será definido na próxima conferência da União Internacional de Telecomunicações em 2023.

A GSMA é contra a destinação integral da faixa para uso não licenciado e defende a utilidade da banda no futuro do 5G. Durante o evento virtual (promovido pelos portais Wi-Fi Now e Convergência Digital) nesta quarta-feira, 3, Gallitto afirmou que a China vai utilizar todo o 6 GHz para os serviços móveis e também pediu que funções de backhaul presentes na faixa em muitos países sejam preservadas.

Outro aspecto levantado pela entidade foi o uso outdoor de equipamentos Wi-Fi na faixa: a GSMA afirmou que a possibilidade é bastante arriscada e que, até agora, estudos não vêm sendo conduzidos de forma suficiente a nível global. Uma avaliação sobre o assunto está no roteiro da Anatel.

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