Emissão de dívida garantida de R$ 2,5 bilhões está em avaliação na Oi

Dentro do processo de captação de recursos previstos no Plano de Recuperação Judicial, a Oi estuda a estruturação de potencial emissão de dívida garantida no valor de R$ 2,5 bilhões. Segundo informou a empresa nesta segunda-feira, 2, isso seria conseguido por meio da negociação de bridge loan (empréstimo de curto prazo prévio a um compromisso de financiamento de longo prazo) de até US$ 600 milhões, com um compromisso de garantia de US$ 400 milhões. "Temos uma pendência na negociação final ainda", declarou durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre a nova CFO da empresa, Camille Faria. 

"Vamos monitorar o mercado em dezembro e no começo de janeiro", declara a executiva. A expectativa é que, até fevereiro, a empresa consiga o montante de R$ 2,5 bilhões previstos na RJ. "Então vamos monitorar o mercado de capital e tomar a decisão de executar a oferta da dívida pública", declara.

Com esse planejamento em andamento, a Oi assim descarta no momento a possibilidade de aumento de capital. "Dadas as opções, como financiamento de dívida e venda de ativos, no momento descartamos. Isso é algo que qualquer empresa tem que ter como opção, mas não é a nossa no momento", complementa o COO da tele, Rodrigo Abreu.

Negociação com fornecedores

A operadora também estima poder voltar a negociar financiamento para a aquisição de equipamentos junto a fornecedores e provedores de serviço. O processo de negociação para a linha de crédito tem o valor estipulado de até R$ 2 bilhões, também conforme o plano da RJ. "Temos um acordo de 'pay as you grow' em andamento com Nokia e Huawei, mas também temos trabalhado com as duas para melhorar as condições de compra e para melhorar soluções técnicas", declara Abreu. 

Um dos benefícios já sentidos é o da redução de 23% nos custos técnicos para homes-passed em fibra até a residência (FTTH). Mas há a expectativa de mais negociações. "Todas as teles estão trabalhando com financiamento com fornecedores, mas, por causa da recuperação judicial, não tínhamos feito nenhuma transação assim", declara. "Com a volta da normalidade da companhia, reabrimos as conversas." A expectativa é que na primeira metade de 2020 a operadora comece a ver resultados. 

Economias

Camille Faria ressalta outras iniciativas para ajudar a empresa a reverter os resultados, todas com expectativa de impacto positivo em 2020 e em um valor total máximo de R$ 1,050 bilhão em economia anual. Na área de vendas, marketing e serviços ao cliente, a Oi espera economia de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões por ano com a simplificação de portfólio (com redução de legados) e aceleração de vendas digitais. Além disso, com apoio da Visagio Consulting para "funções financeiras" e pelo novo time de diretores – incluindo a própria Faria -, a empresa espera que um novo processo de organização resulte em economias anuais de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

Por meio do apoio de negócios, com a cadeia de fornecimento, energia, logística, gerência de negócios e infraestrutura, a Oi espera redução de back office e maior uso de energia eficiente para obter economias de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões. Da mesma forma, com a redução e/ou interrupção de projetos legados de TI para privilegiar o IT Stack e operações em fibra, pretende obter de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões em economias. 

Já em redes e operações, a operadora pretende acelerar a migração para o FTTH e reduzir os esforços de implantação da estrutura, o que permitirá aposentar as redes legadas – a tele cita pela primeira vez, além do cobre, a tecnologia DTH, corroborando algo que Rodrigo Abreu já havia falado em outubro. Com essa iniciativa, a Oi pretende economizar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões anuais. 

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