Sem controlador, CorpCo não terá mecanismos contra oferta hostil

A nova empresa resultante da fusão entre Oi e Portugal Telecom será uma empresa aberta e pulverizada em bolsa. No Brasil, esse tipo de estrutura, em que a vontade de nenhum controlador prevalece, não é muito comum, ainda que haja casos de grande sucesso, como a Embraer (empresa em que o governo tem uma golden share). Mas a nova companhia (CorpCo), ainda assim, suscita reações nacionalistas tanto do Brasil quanto em Portugal. Por lá, existe o temor de que a nova empresa seja uma "companhia brasileira", o que, para o orgulho português, tem grande peso.

No Brasil, o discurso é o de que "acabou o sonho de uma tele nacional". Olhando o pouco que ainda se sabe sobre a governança da nova companhia, não dá para dizer que ela será portuguesa, nem brasileira. Sabe-se que os atuais acionistas da Portugal Telecom (e a própria Oi é acionista da PT) terão cerca de 38% da nova companhia. Mas, mais importante que isso, sabe-se que a fusão estará cancelada caso os atuais acionistas da Portugal Telecom fiquem com menos do que 36,6% da empresa. Da mesma forma, os sócios brasileiros podem cancelar a operação se os acionistas da PT ficarem com mais do que 39,6% da nova empresa.

Ou seja, a ideia é de que cerca de 60% do capital da companhia realmente fique livre para ser comprado por quem quiser. Não se sabe se haverá algum mecanismo contra uma eventual tomada hostil. Uma grande empresa, como a Telefônica, Vodafone, China Mobile, AT&T etc. pode vir a mercado e fazer uma oferta de compra pelo controle.

A única dica sobre isso foi dada por Henrique Granadeiro, atual presidente do grupo PT, em conferência com jornalistas. Segundo ele, não existe garantia de que não possa haver uma tomada hostil, e a única garantia que empresas pulverizadas podem ter contra isso é o seu próprio valor. A CorpCo aposta que conseguirá se tornar uma operadora sólida o bastante para não ser incorporada por ninguém.

Até recentemente, o governo português tinha uma espécie de golden share da Portugal Telecom, o que impedia na prática a desnacionalização ou tomada hostil da companhia. Hoje esse mecanismo não existe mais. No caso brasileiro, havia no acordo de acionistas da Oi a garantia de que o bloco brasileiro não perderia o controle, cláusula que se encerrará no próximo ano, dentro período esperado para a aprovação da fusão.

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