Comcast passa a oferecer banda larga fixa de 2 Gbps nos EUA

O provedor de Internet (ISP) norte-americano Comcast anunciou nesta quinta-feira, 2, que passará a vender conexão com velocidade de 2 Gbps na cidade de Atlanta a partir de maio. A companhia afirma que se trata de uma conexão simétrica (mesma taxa de download e upload) que utilizará, naturalmente, solução de fibra até a residência (FTTH). O ISP afirma que tem dobrado a capacidade de sua rede a cada 18 meses, tendo aumentado as velocidades de acesso em 14 vezes nos últimos 13 anos.

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O movimento é interessante por se tratar de uma empresa que protagonizou das mais ferrenhas brigas com a provedora de conteúdo over-the-top (OTT) Netflix no ano passado. A companhia foi acusada pela OTT de "estrangular" o tráfego do serviço para os usuários, obrigando a empresa a pagar uma espécie de pedágio para que sua banda voltasse a fluir até a ponta. O embate ficou público e motivou a discussão sobre neutralidade nos Estados Unidos.

Ou seja: até que ponto a velocidade final de um serviço de Internet fixa passa a realmente importar para o usuário se um streaming simples (mesmo com resolução 4K, a Netflix afirma que basta uma conexão de 25 Mbps) não funciona como deveria? Essa oferta de 2 Gbps traz que tipo de impacto real na infraestrutura da Comcast? A agência reguladora norte-americana (FCC) vai poder observar isso, já que analisa a fusão entre a ISP e a Time Warner Cable, consolidação que tem o potencial de impactar o mercado de provedores pequenos, talvez de forma irreparável, nos EUA.

Importante ressaltar que a FCC aprovou recentemente a reclassificação da banda larga como serviço de telecomunicação, com direito a garantia de neutralidade. A medida ainda deverá ser discutida no congresso norte-americano, mas há forte lobby da indústria (e da bancada republicana) em favor da permissão de acordos de peering entre as empresas de conteúdo e as de conexão.

Enquanto isso

De qualquer forma, a conexão de 2 Gbps da Comcast é uma oferta para usuários ultra high-end, assim como faz a Live TIM no Brasil, com sua conexão de 1 Gbps por R$ 1.499 mensais (fora instalação, que sai por R$ 3 mil). É uma discrepância também se considerar a média brasileira de velocidade: segundo dados da Anatel referentes a fevereiro, a banda larga fixa no País era composta na maioria (46,29%) por acessos entre 2 Mbps e 12 Mbps. Os acessos superiores à velocidade de 34 Mbps (patamar mais veloz considerado pela agência) somaram apenas 1,72% do total de conexões no período.

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