Apresentação sobre edital de 5G da Anatel traz dados do Departamento de Defesa dos EUA

Foto: Christoph Scholz

Não é segredo que durante o processo de preparação do edital de 5G houve conversas e manifestações de diversos atores interessados junto à Anatel, junto ao governo e junto ao relator, Carlos Baigorri. Mas um detalhe na apresentação do conselheiro mostra um detalhe curioso: o Departamento de Defesa dos EUA foi usado como fonte para uma informação relevante para a modelagem do edital. Trata-se do dado sobre quantidade de operadoras no mundo investindo em redes 5G standalone. A Anatel não esconde isso, tanto que o gráfico que aparece na página 21 da apresentação de Baigorri dá o crédito aos norte-americanos, cujos representantes estiveram visitando a Anatel em algumas ocasiões, advogando pelo banimento das empresas chinesas do 5G no Brasil.

Em outras ilustrações a Anatel também creditam outras fontes para os dados que fundamentaram a análise da agência, como a Associação GSMA ou a Nokia, que são fontes mais usuais e esperadas sobre o mercado de telecomunicações. A fornecedora finlandesa, por exemplo, é forte defensora da adoção de redes standalone, pois isso permitirá a ela entrar nas disputas pelos futuros contratos em condições de igualdade em relação à Ericsson e Huawei, já massivamente presentes nas redes de 4G das teles.

DETALHE DA APRESENTAÇÃO DE CARLOS BAIGORRI

No caso específico da informação sobre a adoção de redes standalone, contudo, o detalhe é importante porque, segundo apurou este noticiário, a adoção dessa arquitetura de rede, que pode operar sem utilizar nenhum recurso das redes 4G, era justamente uma das possíveis estratégias pensadas para que se pudesse minimizar os impactos de um eventual banimento da Huawei do mercado de 5G. A Anatel poderia, ao exigir o uso de redes standalone, evitar que as operadoras precisassem trocar equipamentos nas redes legadas 4G e 3G que eventualmente tivessem fornecedores chineses. Contudo, como ficou claro pela apresentação de Baigorri, até o momento não existe nenhuma limitação à participação de fornecedores da China nas redes comerciais de 5G.

Mas a exigência do 5G release 16, com todas as suas funcionalidades (o que na prática é uma exigência de redes standalone), permanece no edital e isso ainda preocupa a Huawei e algumas operadoras, porque pode facilitar um eventual banimento da Huawei caso o humor do Palácio do Planalto volte a mudar. Não pelo fato de a Huawei não ter equipamentos release 16 exigidos pela Anatel ou preparados para redes standalone. Tudo isso a Huawei tem, mas também pesa a favor da empresa chinesa a sua forte presença nas redes legadas e de ser, portanto, a fornecedora preferencial para redes 5G non-standalone (baseadas na infraestrutura 4G). Isso deixaria de ser uma vantagem e uma garantia de permanência no caso de um 5G só com redes standalone no Brasil.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, viajou para uma missão internacional, visitando diferentes fornecedores, inclusive a Huawei na China, e levando na comitiva o Almirante Rocha, secretário de assuntos estratégicos do governo; ministros do Tribunal de Contas da União e um representante em segurança cibernética do Ministério da Defesa, além do secretário executivo Vitor Elísio Menezes.

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