Em sua primeira reunião, Miro prioriza sindicatos

Duas horas depois de haver recebido o cargo, o ministro das comunicações Miro Teixeira reuniu-se com um grupo de entidades de trabalhadores da área de comunicações (Fenaj, Abraço e Abccom) e de telecomunicações (Fittel e diversos sindicatos de trabalhadores em empresas de telecomunicações), incluindo representantes dos funcionários dos Correios. Sobre esta reunião, Teixeira classificou-a como ?a verdadeira transmissão de cargo?. Ao começar a reunião, em que estavam presentes cerca de 50 pessoas, Miro disse que havia abreviado seu discurso na transmissão de cargo oficial porque queria se dedicar aos trabalhadores dos setores participantes ?da nossa aliança prioritária?.
Para o ministro, muitos dos que estavam na cerimônia oficial de posse ?apareceram agora dizendo ser amigos, mas eu sei que os meus amigos são vocês, gente que conheço das lutas há muito tempo?. O ministro disse que seu gabinete estará permanentemente aberto a todas as pessoas que têm interesse no setor de comunicações e que ele não deixaria de receber ninguém, mas que ele daria prioridade para atender aos sindicalistas que, em suas palavras, ?não precisarão nem marcar hora para falar comigo?.
Miro lembrou aos sindicalistas que o presidente Lula quer pressa na tomada de decisões em benefício da população, mas que ?não haverá espaço para leviandades?. E seu discurso aos sindicalistas, Miro Teixeira disse ainda que o ministério das comunicações será totalmente ético e que ele não tolerará nenhum tipo de erro de seus comandados. O ministro disse ainda que está avaliando a possibilidade de rever alguns atos do ministro Juarez Quadros nos últimos dias de sua gestão, como a concessão e a revogação de outorgas de retransmissoras de televisão, por considerá-los estranhos. Ao final da reunião, prometeu às entidades que assim o desejarem recebê-las em audiência separada para tratar de assuntos de interesse específico.

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Comunicação de massa

Ao tomar a palavra durante a reunião, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Bete Costa, reivindicou a possibilidade de discutir o projeto de Lei do Serviço de Comunicação Social Eletrônica, cuja minuta foi apresentada pelo ministro Juarez Quadros para apreciação do novo governo. O representantes da Abraço (Associação Nacional das Rádio Comunitárias), José Soter, pediu ao ministro uma atuação no sentido de se pacificar o segmento para que este possa atender aos objetivos para o qual foi criado. O diretor executivo da Abccom (Associação Brasileira de Canais Comunitários), Paulo Miranda, foi mais longe nas críticas ao atual modelo de comunicações brasileiro, pedindo ao ministro que recupere as prerrogativas do ministério e que se fosse preciso, ?acabe com a Anatel, um elemento de política neo-liberal que existe apenas para esvaziar o poder de intervenção governamental?. Paulo Miranda sugeriu ao ministro a criação de um fundo de sustentação para as emissoras comunitárias para permitir o desenvolvimento deste segmento de radiodifusão popular.

Críticas à Anatel

Mas quem bateu duro contra a agência reguladora de telecomunicações foi o presidente da Fittel (Federação Interestadual de Tebalhadores em Empresas de Telecomunicações), José Zunga, ao criticar o modelo que ?acabou com os empregos especializados e de qualidade no setor através da terceirização acelerada dos diversos serviços e que ao invés de universalizar os serviços, criou dois tipos de usuários de telefone: os que têm telefone, e os que estão com o nome no Serasa por inadimplência?. Zunga disse que os sindicalistas não tolerarão mais a inoperância da Anatel na defesa dos interesses da população: ?Em relação à Anatel temos tolerância zero e queremos que seja promovido uma mudança nas atitudes da agência?. Ganhamos o governo, e por isso queremos uma agência 100% democratizada. Vale lembrar que o sindicalista e ex-diretor da Fittel José Palácio foi escolhido por Miro Teixeira para a secretaria executiva do Minicom.
A entidade dos telefônicos tem filiados tanto no PT quanto no PDT e está aparentemente jogando com os dois partidos na indicação dos nomes para os cargos de secretariado remanescentes. Querem emplacar Brígido Ramos para uma futura secretaria de serviços de telecomunicações e Marcos Dantas para a secretaria de radiodifusão. O atual presidente da entidade, José Zunga (filiado ao PT) funciona como articulador que goza da inteira confiança do ministro para definir os novos cargos. Resta ainda saber a que grupo partidário será designada a presidência dos Correios, reivindicada pela bancada do PT para o coordenador da transição no setor, Israel Bayma. Algumas entidades do Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (mais petista que pedetista) reivindica a secretaria de serviços de radiodifusão para o professor de comunicações da UnB, Murilo César Ramos.

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