Pandemia demanda menos regulação e mais investimentos na América Latina, dizem operadoras

Painel GSMA com representantes da AT&T, Tigo e Telefónica

A pandemia do coronavírus teve diferentes efeitos nas economias dos países da América Latina, mas há um traço em comum: o reconhecimento, por parte dos governos e reguladores, da essencialidade dos serviços de conectividade. Em painéis nesta terça, 1º, no evento online dedicado à região, o GSMA Thrive Latam, isso se destacou especialmente pelas queixas de representantes de operadoras latino-americanas para simplificação regulatória para permitir mais investimentos.

Segundo o VP de relações regulatórias de DTV da AT&T na América Latina, Angel Melguizo, haverá um impacto negativo de US$ 1 trilhão no crescimento da região até 2021, recuperando depois em 2023. Por isso, ressalta que haverá impacto social com aumento de pobreza, redução de emprego formal e vulnerabilidade econômica em geral. Inclusive na geração de capital humano. Assim, destaca o impacto de "inovações regulatórias", incluindo o reconhecimento da essencialidade dos serviços de telecomunicações.

No entendimento da VP de assuntos corporativos da operadora colombiana Tigo, Ana Jimenez, os reguladores deveriam se concentrar nessa essencialidade para acabar com o dividendo digital. "Educação, ruralidade, PMEs e mulheres são temas que devem ser abordados para ajudar a acabar com a brecha digital", avisa. "E os reguladores e governos têm que entender o papel deles claramente. O que nos interessa é regulação inteligente."

Tecnologia

Mas Jimenez entende que isso significa também um foco maior na otimização de custos, ainda que isso signifique um atraso na adoção de novas tecnologias. "No caso da Colômbia, tivemos um leilão de frequências para 4G no ano passado, no qual fizemos investimento importante. Agora o governo quer 5G, e isso não é oportuno. Precisamos 'meter' 4G no país e na América Latina."

O executivo de atacado e relações públicas da Telefónica Hispanoamerica, Jose Juan Haro, diz que a realidade na região ainda é a de encerrar o 2G e levar conectividade rural. Ele chama de "absurdo" e "políticas agressivas" as leis e regulações de espectro no México e Equador, que impõem compromissos de devolução e de duplicidade de estações radiobase, respectivamente. "Essas políticas têm que ser questionadas não porque prejudicam operadoras, mas porque prejudicam elas a levarem um bem essencial para todos", alega. 

Vale lembrar que a GSMA divulgou também nesta terça-feira um relatório no qual prevê o aumento da importância do 5G na região.

Competição é a resposta

Para a analista Elena Estavillo, da consultoria Aequum, o momento é de uma "conjuntura histórica complexa", lembrando que, se por um lado a economia sofreu um baque com a pandemia, a conectividade e penetração de serviços de Internet tiveram a importância ressaltada. Inclusive para a retomada econômica mais rápida. 

Sobretudo, Estavillo ressalta que a melhor forma de estimular o investimento em telecom na região é a de promover competição. "É mais do que suficiente para trazer investimentos, incentivar preços, melhor qualidade e mais inovação. É benéfico para consumidores, com todos os tamanhos de empresa e de usuários", analisa. 

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