Investimento global em redes de telecom soma US$ 50,2 bi no segundo trimestre

Foto: Pixabay.com

A venda global de infraestrutura para as operadoras de telecomunicações totalizou US$ 50,2 bilhões durante o segundo trimestre, apontou um levantamento da consultoria norte-americana MTN Consulting. Menor em 1,2% que o capex do setor no mesmo período do ano passado, o investimento da indústria em 2019 ainda deve ser pressionado por fatores como o conflito comercial EUA-China, a desaceleração do mercado de telecom no país asiático e o ritmo de adoção do 5G, além dos riscos de recessão global.

Em 12 meses encerrados em junho, o capex realizado pelas teles somou US$ 201,1 bilhões, em quantia um pouco menor que os US$ 201,7 bilhões dos 12 meses até março deste ano. Para o levantamento, foram considerados resultados de venda de hardware, software e serviços para operadoras em 113 empresas.

A MTN Consulting nota que o 5G foi o destaque durante a temporada de divulgação de resultados das fornecedoras, "mas que poucas concordam em quando e como isso beneficiará suas operações específicas". A análise vê a Ericsson "um pouco mais agressiva do que outras empresas na busca de negócios 5G iniciais, possivelmente em detrimento das margens". Sobre a Nokia, a consultoria lembra que a fornecedora "espera um bom quarto trimestre, mas, enquanto isso, está reformulando os esforços para atacar oportunidades não relacionadas às telecomunicações".

No caso da Huawei, a MTN observa que os problemas de supply chain enfrentados por conta da ofensiva norte-americana contra a empresa não impediram a fornecedora de seguir com 22% de todo o bolo investido pelas teles na construção de redes (Huawei, Ericsson, Nokia, ZTE e Cisco concentram 55%). Ainda assim, o relatório mostrou ceticismo frente uma resolução rápida para o conflito comercial que envolve a chinesa, apostando antes em reflexos do boicote dos EUA em outros mercados.

A MTN Consulting ainda pontua que o impacto negativo do impasse sobre o setor não é problema apenas da Huawei. "[A guerra comercial] também atingiu a capacidade das fornecedoras de equipamentos de rede ocidentais acessarem facilmente o mercado chinês para fabricação, P&D, fornecimento de componentes e vendas para empresas de telecomunicações chinesas", alertou. Em paralelo, a própria demanda chinesa estaria desacelerando; entre outros motivos, por conta de acordos para compartilhamento de redes 5G no país.

Por outro lado, a incerteza gerada pela quinta geração e pelo conflito comercial seria propícia para o surgimento de novos entrantes na cadeia de fornecimento, sobretudo em países asiáticos como a Índia, avaliam os analistas da consultoria. "Isso não significa apenas outros fornecedores de redes de acesso, mas também em fibra, transmissão, roteadores/switches e outras áreas de produtos, além de serviços de software e TI". A empresa ainda vê operadoras buscando menor dependência de um fornecedor único e uma maior propensão para compras "à la carte".

Especialmente entre os provedores de TI, a expectativa pela demanda das teles segue "positiva na perspectiva de uma mudança em telecomunicações para mais gastos em software e serviços (como transformação digital)". Ainda assim, a MTN Consulting nota que as taxas de crescimento de receita atreladas às operadoras ainda são "modestas". Já as fornecedoras de cabos e equipamentos de conectividade estariam em um momento positivo; por outro lado, a consultoria lembra que "os gastos com cabos de fibra tendem a ocorrer em ciclos e são fortemente afetados pelas regulamentações governamentais".

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