Proposta da Highline poderia deixar Oi mais saudável para sair da RJ

A proposta de R$ 1,7 bilhão da Highline para adquirir sites de operação fixa da Oi causou surpresa no mercado, mas pode fazer sentido para a operadora no cenário atual. Além da discussão sobre o saldo das concessões e do processo de arbitragem com a Anatel, a companhia está na expectativa de sair da recuperação judicial em breve, mas ainda precisa demonstrar que a estratégia de venda de ativos core e foco na unidade de negócio para o cliente fixo é sustentável.

O mercado reagiu bem à proposta vinculante da Highline. Ainda que a Oi não tenha manifestado se está de fato interessada, as ações preferenciais (OIBR4) da companhia fecharam esta segunda-feira em alta de 2,08%, chegando a R$ 0,98. Já as ordinárias (OIBR3) acumularam alta de 6,38%, chegando a R$ 0,50. 

Na avaliação do relatório da UBS elaborado pelos analistas Leonardo Olmos e André Salles, a operação poderá trazer um "alívio de caixa" e "valor inesperado aos ativos da concessão", ainda que pressione negativamente a geração de caixa operacional por conta de Opex adicional. "Tal injeção de caixa não estava na nossa previsão, já que a companhia tratava esta venda como opcional porque os ativos são ligados à concessão", declara. Por tudo isso, considera ser um "passo em direção a uma estrutura de capital mais sustentável".

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Ainda conforme a estimativa da UBS, sem considerar impacto negativo nas margens por conta de obrigações de aluguel, a relação dívida líquida/EBITDA para 2023 seria de 10,9x, contra 11,7x sem essa operação. Considerando o valor total de R$ 1,7 bi, a relação seria de 10,5x. A empresa também menciona que há possibilidade de o impacto nas margens acabar se diluindo com o plano de aceleração de fibra da Oi. 

Momento

Conforme apurou TELETIME, o momento escolhido para a oferta provavelmente considera não apenas a concessão, como também o final da RJ. Neste caso, seria vantajoso para a Oi poder demonstrar ao Juízo que está saindo do processo com uma posição de caixa mais saudável, com liquidez financeira para poder andar com as próprias pernas. Até então, grande parte do que foi levantado com a venda de ativos da operadora foi destinado a pagar credores – o BNDES teve o crédito inteiro quitado assim que a venda da Oi Móvel foi finalizada. A negociação para a venda da operação de DTH da Oi TV para a Sky ainda não teve atualizações até o momento.

O momento é importante também no contexto atual do mercado de capitais. Conforme fonte próxima ao assunto ouvida por este noticiário, empresas do setor de telecomunicações (como provedores regionais, por exemplo) estariam adiando planos para grandes movimentações, considerando a alta da taxa de juros. "O dinheiro secou", disse. Assim, a oferta da Highline teria como objetivo apresentar uma opção bilionária justamente nesse cenário de escassez.

Ressalta-se que o veículo utilizado pela Highline para fazer a proposta, a NK 108, foi constituído na época do leilão do 5G para a disputa. A companhia de infraestrutura acabou não concretizando nenhum lance e, por isso, ficou sem adquirir espectro. Mas a empresa sempre ressaltou que continuava disposta a investir no mercado de telecomunicações no País

Caso não volte a postergar a divulgação, a Oi deverá informar o balanço financeiro do segundo trimestre no próximo dia 11 de agosto, após o fechamento do mercado. Tradicionalmente, o relatório costuma ser publicado no final da noite na Comissão de Valores Mobiliários. 

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