Projeto de Wi-Fi público em São Paulo começa com oscilações

Apesar de já estar disponível desde o início da semana, a Prefeitura de São Paulo inaugurou oficialmente na Praça Dom José Gaspar nesta quinta, 1º de agosto, o primeiro ponto de um programa de Wi-Fi gratuito na capital paulista. A iniciativa é um teste para a implantação do projeto Praças Digitais, que está sendo desenvolvido com a Secretaria de Serviços e com a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam), e deverá cobrir pelo menos 120 praças públicas na cidade. Mas a organização reconhece que ainda faltam alguns ajustes.

Localizada no Centro da capital paulista, a Praça Dom José Cardoso contou com um link de 34 Mbps fornecido pela Embratel e pela Idea, uma empresa de planejamento de redes metropolitanas, de maneira gratuita para a avaliação da implementação. Entretanto, a conexão durante o evento funcionou de forma irregular. A promessa do projeto é de velocidades de downlink e uplink simétricas, com no mínimo 512 Kbps por pessoa. "O ideal para essa praça seria, na minha opinião, um link de 100 Mbps no mínimo", afirmou o sociólogo e representante do Comitê Gestor de Internet (CGI.br), Sérgio Amadeu, que também é um dos organizadores do projeto.

De fato, em testes realizados por este noticiário houve resultados irregulares. Embora tenha apresentado velocidade em torno de 8 Mbps de download e 2 Mbps de upload no aplicativo Speedtest.net, houve perda de pacotes de 46% e latência de 3716 ms, índice muito acima até mesmo do presenciado na rede móvel 3G. Algumas páginas e aplicativos não conseguiam ser carregados também.

Uma fonte que não quis se identificar confirmou a este noticiário que o problema é mais complexo do que se apresenta, já que a região central de São Paulo possui dificuldade na infraestrutura de cabos. Perguntado sobre a possibilidade de a prefeitura facilitar a instalação de fibra para atender as praças, o secretário de Serviços do município, Simão Pedro, afirmou que isso ainda estaria sendo estudado. "A Prodam e a Embratel vão ter que resolver esse problema. Se for preciso, as medidas que forem necessárias vamos facilitar", disse ele.

A medição em todas as localidades será realizada por 270 aparelhos do Sistema de Medição de Tráfego Internet (SIMET), do CGI.br, que mede a velocidade, a latência e o jitter (variação da latência). Mas a prefeitura espera poder contar com a participação pública. "Estamos pensando em criar fóruns de usuários por praça, para estimular isso. Mas a Secretaria de Serviços vai fiscalizar através de sua coordenadoria", explicou Simão Pedro.

Andamento do projeto

O teste durará 30 dias e conta com dois medidores que podem ser consultados publicamente, mas o secretário afirma que a expectativa é que o edital esteja pronto ainda na metade de agosto. Uma vez publicado, as empresas interessadas irão disputar os quatro lotes das 120 praças, sendo que cada uma poderá ter até dois lotes, limitando o número de fornecedores para quatro, no máximo.

Após entrar em consulta pública, o edital foi adiado até este mês a pedido de uma das operadoras, que queria "olhar com mais calma". A redação está pronta e agora está em fase de consulta de preços, aguardando então a publicação no pregão eletrônico.

"As empresas terão 15 dias, quando vão analisar as praças e os critérios técnicos. O processo de concorrência normalmente leva dois meses, então, o prazo que trabalhamos é para que no mês de outubro a maioria das praças esteja em funcionamento", diz o secretário. O orçamento para este ano, segundo ele, é de R$ 2 milhões, com previsão de estabelecer o valor total da licitação em R$ 15 milhões. "Se a concorrência for boa e competitiva, como estamos achando que será, acho que esse preço vai cair bastante", espera.

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