Anatel seleciona provedores de dados de 'crowdsourcing' para acompanhamento das redes

Foto: Pixabay

A Anatel concluiu o processo de credenciamento das empresas que vão prover os dados para o acompanhamento de mercado por meio de ferramentas de crowdsourcing "visando o intercâmbio de informações, a realização e a publicação de estudos para subsídio de avaliações do desempenho e da infraestrutura dos serviços móvel pessoal e de banda larga fixa, no Brasil e no exterior"Foram selecionadas as empresas BwTech, Ookla, OpenSignal e Tutela Technologies. Estas empresas são especializadas em coleta de dados sobre desempenho e uso das redes de banda larga fixa e móvel por meio de dados coletados a partir de aplicativos específicos. O acordo, a princípio, é válido por um ano e é sem custos nesse período em que a Anatel pretende analisar a experiência e os resultados.

Cada uma tem uma metodologia diferente: algumas têm aplicativos próprios, outras têm códigos inseridos em aplicativos populares entre usuários de celular. Estes dados são coletados em tempo real e são permanentes, o que permite uma visibilidade muito mais detalhada do que pesquisas pontuais feitas pela agência ou informações auto declaratórias feitas pelas empresas.

Segundo Gustavo Santana Borges, superintendente de obrigações da Anatel, a cooperação com as empresas visa dar à agência acesso aos dados coletados por elas por meio das ferramentas de crowdsourcing que permitam ter mais detalhes sobre a qualidade dos serviços, cobertura, uso de espectro, tipo de rede e uma comparação com dados semelhantes coletados em outros países. "Os servidores da Anatel terão acesso ao dashboard das plataformas destas empresas, e terão ainda acesso à metodologia e suporte para interpretação", diz o superintendente. São 20 logins disponibilizados para a Anatel como parte do termo da parceria. O processo de seleção das empresas começou em dezembro, e a agência dará como contrapartida a citação dos dados nos relatórios e análises da agência e abrirá em seu site um espaço para a divulgação dos estudos realizados por estas empresas.

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"O fato de darmos visibilidade às informações não significa que estaremos endossando os dados como oficiais. E quando formos utilizar as informações para embasar algum estudo, vamos fazer uma checagem metodológica. E esses dados não serão utilizados para acompanhamento de obrigações ou processos de fiscalização", diz ele, ressaltando que a divulgação das informações também depende de autorização das empresas parceiras.

A perspectiva da Anatel é ter informações mais precisas para o planejamento regulatório, acompanhamento de mercado e situação das redes. "Estas informações nos permitem saber, por exemplo, a cobertura real das redes móveis em estradas, por exemplo, ou onde há PPPs atuando, onde tem competição e onde determinadas faixas de espectro estão ou não sendo utilizadas".

Este acordo para acesso aos dados de crowdsourcing é gratuito para a agência, mas está prevista para este ano a contratação de um provedor de dados para os chamados "drive tests", que também partem de informações coletadas na rede mas que trazem muito mais detalhamento de tipos de equipamentos utilizados e outras informações técnicas. A previsão da Anatel é fazer a licitação ainda no primeiro semestre, a depender de liberação orçamentária. O conselho da agência aprovou um teto de R$ 17 milhões aproximadamente para esta ferramenta, para um contrato de dois anos. 

Sem fiscalização

Borges ressalta que os dados que serão analisados agora pela agência não serão utilizados no trabalho de fiscalização e controle de obrigações da Anatel. Mas a partir destas experiências será possível caminhar para um cenário futuro em que o processo de fiscalização das empresas acontecerá a partir de ferramentas de crowdsourcing. Isso precisaria ser feito a partir do Manual Operacional do Regulamento de Qualidade, que é desenvolvido a partir de um grupo de trabalho específico. Nesse caso, para usar dados de rede em acompanhamentos fiscalizatórios, é preciso muito mais segurança em relação à metodologia e confiabilidade dos dados. 

Outro aspecto que Gustavo Borges ressalta é que todos os dados coletados pela Anatel estão anonimizados. "Isso é requisito da cooperação com as empresas, a gente não  tem nenhuma informação individual  de nenhum usuário a partir dessas ferramentas. São dados completamente agregados", diz. 

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