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Tendência para mercado de ISPs é de consolidação, avalia CEO da Megatelecom
sexta-feira, 31 de agosto de 2018 , 19h03

Com 5,6 milhões de acessos, o mercado de provedores regionais é o que mais cresce na banda larga fixa no Brasil, boa parte com fibra. Porém, há a percepção de que muito desse crescimento é referente a empresas que finalmente estão buscando reportar sua situação junto à Anatel, algo especialmente sensível após o termo de ajustamento de conduta (TAC) da Telefônica – os ISPs reclamavam que a operadora iria chegar com fibra em cidades onde já havia competição das menores. Além disso, com o aumento da transparência, há também a preparação de terreno para uma tendência de consolidação entre os pequenos provedores, segundo analisa o CEO da operadora de atacado Megatelecom, Carlos Eduardo Sedeh. "O mercado de M&A (fusões e aquisições, na sigla em inglês) está aquecido neste segmento, tanto para as competitivas como a Mega quanto para provedores", disse ele a este noticiário.

O executivo entende que os provedores estão preparando seus próprios ativos para futuras vendas até pela natureza da operação, com Capex intensivo. "O provedor pensa que há 20 anos jogou dinheiro em postes e rede, que muitas vezes são ativos com pouco valor porque a rede não é regularizada", declara. "Ele pensa em que está na hora de se aposentar, e aí para vender tem que arrumar a noiva." Por isso, afirma, há um movimento de regularização das bases junto à Anatel, ainda que muitos dos ISPs usem CNPJs diferentes para se manter no regime tributário do Simples e com base abaixo de 50 mil acessos conforme regulamento de prestadora de pequeno porte na Anatel. "Na minha opinião, o crescimento da base dos ISPs é muito mais formalização do que adição", diz.

A avaliação de Sedeh é que, juntando as forças com fusões, a empresa resultante fica mais forte financeiramente, com maior número de clientes atendidos e alcance geográfico, conseguindo negociações melhores com fornecedores. "Eu já tenho mapeados fundos nacionais e internacionais relevantes de olho neste mercado. Esses caras, em via de regra, não investem em negócios ruins, já pesquisaram e sabem que o negócio tem potencial."

Ele aponta para a estratégia da Algar Telecom, que recentemente comprou ativos da Cemig Telecom no Nordeste. "É natural que se passe pela consolidação, não tem mercado para todo mundo. Se não, com a competição exagerada, começa a acontecer uma coisa preocupante que é a erosão acelerada de preços e margens, o que pode ser bom para o consumidor em curto prazo, mas para o mercado é ruim em longo prazo", afirma.

O executivo descreve a própria operadora como uma "pequena Algar Telecom", com mesmo segmento de mercado, além de nicho e produtos parecidos. Porém, diferente da operadora mineira, ele afirma que a Megatelecom não tem interesse imediato de participar dessa tendência de consolidação no mercado de SCM. Segundo ele, por ser uma empresa menor, teria de comprar operações muito pequenas, mas o custo e a complexidade seriam muito altos. Por isso, prefere seguir na premissa de crescimento orgânico, com rede própria, embora declare que a está "ouvindo e estudando" a movimentação.

Sedeh acredita que as pequenas empresas precisarão se fortalecer também porque, em breve, precisarão competir com as grandes com a chegada da 5G. A expectativa dele é que a nova tecnologia proporcionará uma banda larga fixa-móvel de qualidade por micro-ondas, rivalizando com o acesso de fibra das pequenas.

Novos desafios

Outro sinal apontado por por Carlos Sedeh para a consolidação é a disputa por margens, e aí entra o impacto da tributação, em especial do ICMS. O executivo diz ter esperança que haja uma solução em médio prazo para o problema, embora reconheça que a queixa não é novidade no setor. Segundo ele, algumas empresas estão propondo ações em nível estadual, buscando isonomia com imposto a 18% com o argumento de que a banda larga é um serviço essencial. "Mas acho muito difícil o governo abrir mão disso. O Estado já não está pagando o funcionalismo público, o salário dos profissionais, polícia e hospitais, como esperar que abram mão do ICMS?"

A solução, afirma, seria um modelo de transição, no qual o governo estabeleceria um plano de desoneração regressiva da carga, reduzindo anualmente 2,5% da alíquota do ICMS, por exemplo. Ele sugere também aumentar o imposto no lucro das empresas de telecomunicações e taxação de dividendos das companhias de todos os segmentos, alegando que a maioria é remetida para o exterior. "O imposto no consumo é muito regressivo. Enquanto isso, tem dividendos grandes sendo remetidos para o exterior pela Telmex, Telefônica, TIM, e que não são tributados", declara.

Há ainda a concorrência com as over-the-top, que estariam capturando a receita – e metade do valor de todas as empresas de capital aberto do mundo – em cima da infraestrutura de telecomunicações, mas sem a mesma carga regulatória e tributária. "O mercado está estagnado, declinante, e nunca as OTTs faturaram tanto em cima da gente. Chegará a um ponto em que isso precisará ser reequilibrado: não adianta aumentar, arroxar imposto por um lado, e não garantir do outro lado o financiamento e a isonomia para as teles competitivas", diz.

Estratégia

Para lidar com isso, sugere uma reinvenção do mercado com a mudança de paradigma, deixando de vender apenas a infraestrutura para passar a oferecer serviços. Sedeh explica que, após pelo menos um ano e meio de estudos e três anos de mapeamento, a estratégia da Megatelecom para sobreviver ao dinamismo é a de virar também uma integradora. "Vou passar a vender a solução porque eu tenho aa fibra e começo a buscar produtos de valor adicionado ao meu negócio, com segurança, latência, multicloud e PABX virtual, fortalecendo o nosso produto", explica. "Para mim, é um futuro promissor, mas não é fácil", conclui.

Atualmente, a Megatelecom conta com uma rede de 3,5 mil km de fibra ótica. Com sede em Alphaville (SP), a empresa também está presente em Goiás (onde a operação foi recém implantada), Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. A companhia conta com mais de 1.500 clientes e tem planos para expandir sua atuação em São Paulo, com mais um escritório comercial na capital, além de Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.

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