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Crise da Oi
Tanure diz não haver guerra com diretoria da Oi, mas não nega proposta que consumiria caixa da companhia
sexta-feira, 29 de setembro de 2017 , 19h25

O grupo liderado pelo empresário Nelson Tanure negou nesta sexta, dia 28, informações de que haveria uma "guerra" entre a diretoria da Oi e o conselho de administração. Sem citar, a nota oficial possivelmente se refere à reportagem do jornal Valor Econômico que trás esta informação.

O grupo aproveitou a nota ainda para afirmar que é favorável a uma proposta de aumento de capital da companhia no valor de R$ 7,1 bilhões a serem subscritas pelos bondholders, com diluição dos acionistas.

Mas a nota não nega a informação mais relevante da reportagem do Valor: a de que a Oi teria que usar recursos de caixa para garantir a remuneração desse aumento de capital antes mesmo que ele aconteça, a taxas que variam de 6,5% a 8%, e podendo chegar a mais de 12% caso não haja homologação pela Vara de Falências. O Valor afirma ainda que apenas metade do montante previsto na capitalização seria efetivamente garantido pelos bondholders. Sobre estes detalhes da proposta, que teria sido a razão de um embate direto com a diretoria estatutária da empresa, a nota distribuída por Nelson Tanure manifesta apenas "perplexidade diante da quebra do dever fiduciário por parte de quem vazou à imprensa documento sigiloso da Companhia". Esta é, contudo, a questão mais relevante no momento e o fato que fez com que a Anatel tenha emitido uma nota oficial, apontando "conflitos de interesse".

A agência está especialmente preocupada com a possibilidade de deterioração do caixa da empresa caso haja medidas para compensar acionistas ou credores, razão pela qual inclusive a possibilidade de intervenção voltou a ser considerada por alguns conselheiros. A intervenção, ainda que mais suscetível a uma guerra judicial imediata, tem o poder de blindar a empresa de seus acionistas, ao passo que durante o processo de caducidade a companhia continua sujeita às deliberações de seu conselho de administração, hoje controlado por Tanure e pela Pharol.

Confirma a íntegra da nota distribuída pela assessoria do grupo de Nelson Tanure:

  1. O Société Mondiale tem contribuído para aproximar credores da Companhia com o objetivo de aprovar o plano. Evidência do apoio ao interesse maior da Companhia é que o Société está favorável ao aumento de capital de R$ 7,1 bilhões, a ser subscrito pelos bondholders, diluindo acionistas, inclusive o próprio Société Mondiale. Reafirmamos também a intenção de realizar um vultoso aporte de capital a ser subscrito por acionistas. Prova do zelo do Société Mondiale em favor do caixa, da solidez financeira da Oi e da preservação dos serviços prestados pela operadora aos mais de 60 milhões de clientes.
  2. Não há guerra entre a diretoria e o Conselho de Administração.
  3. Não há um plano do empresário Nelson Tanure e outro da Oi. Existe apenas um plano, que vem sendo discutido com transparência entre os diversos players. As negociações com credores têm avançado de forma expressiva, a contragosto de grupos contrários ao sucesso da recuperação judicial e interessados em intervenção do governo na Companhia.
  4. G5 e Moelis jamais solicitaram reunião com o Société Mondiale. Foram recebidos inúmeras vezes pela Companhia, e o Société nunca se opôs. Apresentaram um plano que incluía haircut dos créditos de bancos brasileiros, mas não assinaram sequer um acordo de confidencialidade para iniciar as negociações com a Companhia. São grupos de adesão voluntária, sem o poder de decisão para implementar aquilo que declaram.
  5. Por fim, o manifestamos a sua perplexidade diante da quebra do dever fiduciário por parte de quem vazou à imprensa documento sigiloso da Companhia.
COMENTÁRIOS

1 Comentário

  1. Erick disse:

    A Oi precisa sair dessa recuperação judicial logo…

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