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Caso Opportunity
Dantas omite da Justiça de NY uso de documentos furtados
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 , 20h19 | POR SAMUEL POSSEBON

Dantas utilizou como prova em uma disputa que trava em Nova York contra o Citibank uma representação feita em 31 de outubro de 2001 ao Procurador Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O que Dantas não contou ao juiz Lewis Kaplan, que conduz o processo em Nova York, é que ele foi obrigado a se retratar desta queixa-crime junto à mesma procuradoria em 14 de março de 2002, admitindo que ela estava fundamentada em documentos furtados do empresário Luis Roberto Demarco, ex-sócio e desafeto de Dantas.
A representação com a queixa-crime e a carta de retratação de Dantas, admitindo ter usado documentos furtados de Demarco, estão disponíveis em www.teletime.com.br/arquivos/retratacao.zip .
Dantas só admitiu ter usado documentos furtados de Demarco na representação à Procuradoria do Rio de Janeiro depois de uma ordem da Justiça de Cayman, que constatou o delito. Dantas também teve que admitir que usou os documentos em desacordo com ordem da Justiça de Cayman. "A Grande Corte das Ilhas Cayman ordenou-me que escrevesse para os senhores para explicar que a Corte concluiu que o documento da TIW era um documento confidencial furtado do Sr. Demarco, e que evidencia em seu conteúdo nada além de um acordo para compartilhamento dos serviços de advogado (…)", diz Dantas em sua retratação, assinada de próprio punho.

Contexto

Para entender essa história é preciso entender o contexto em que Daniel Dantas levou, à Justiça de Nova York, uma queixa-crime feita por ele em 2001. Nos últimos dias, o Opportunity tem se esforçado, em Nova York, para tentar evitar que o Citibank e a Brasil Telecom obtenham liminar que impedirá o grupo de utilizar os US$ 390 milhões que receberão da venda da Telemig Celular para a Vivo. Os US$ 390 milhões serão pagos à Highlake, uma das acionistas da Telemig, controlada pelo Opportunity. O que o Citibank alega é que ele tem direito a um terço da Highlake, e a Brasil Telecom alega ter direito aos outros dois terços. O Opportunity só reconhece 5% ao Citibank, e alega que a BrT não tem direito a nada.
No contexto desta briga, Daniel Dantas argumentou ao Juiz Lewis Kaplan que constituiu a Highlake como uma forma de proteger os interesses do próprio Citibank. No começo de 2003, a Highlake foi utilizada para comprar, por US$ 65 milhões, a participação da empresa canadense TIW na Telemig Celular. O que Dantas diz é que antes disso havia uma grande conspiração da TIW com os fundos de pensão e com o empresário Nelson Tanure para tentar tomar o controle da empresa de telefonia celular.

Provas

Dantas coloca como supostas provas dessa conspiração relatórios de espionagem realizados pela Kroll, reportagens da revista Veja de 2001 baseadas em grampos ilegais e esta representação com queixa-crime contra Luis Roberto Demarco e contra o então presidente da TIW, Bruno Ducharme.
Vale lembrar, como já informou este noticiário ontem, que a Kroll supostamente havia sido contratada pela Brasil Telecom (quando Dantas administrava a empresa) para levantar informações sobre a Telecom Italia. O que o próprio Opportunity evidencia é que a Kroll espionou também a TIW, que não tinha nenhuma relação direta com a BrT. A Polícia Federal, após a Operação Chacal, em 2004, indiciou Dantas por formação de quadrilha em função da espionagem promovida pela Kroll. O processo judicial ainda está em curso.

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