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Caso Opportunity
Em NY, Dantas usa espionagem da Kroll como prova
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 , 21h30 | POR SAMUEL POSSEBON

O Opportunity decidiu usar documentos referentes ao trabalho de espionagem realizado pela Kroll no Brasil entre os anos de 2001 e 2005. Os relatórios de espionagem da Kroll foram pagos pela Brasil Telecom (à época sob a gestão de Dantas), sob a alegação de que a empresa levantava elementos relacionados ao conflito com a Telecom Italia. Agora, parte destes documentos são utilizados como provas pelo Opportunity no processo que o Citibank move contra Dantas em Nova York.
A Polícia Federal, por meio da Operação Chacal, apurou que o trabalho da Kroll ia além da Telecom Italia, como argumentava o Opportunity, e envolvia a espionagem de todos os desafetos de Dantas. Apurou ainda que a coordenação do trabalho não cabia apenas à Brasil Telecom, mas ao próprio Opportunity, tanto é que indiciou o próprio Daniel Dantas por formação de quadrilha (o processo judicial ainda está em curso).

Sem relação

A novidade é que, além de usar pela primeira vez os tais relatórios da Kroll (Dantas cita especificamente o relatório Project Tokio IX), ele utiliza esta documentação para tentar convencer o juiz Lewis Kaplan, que preside o processo do Citibank em Nova York, de que foi vítima de uma conspiração supostamente patrocinada pela TIW (antiga acionista da Telemig Celular) em conjunto com os fundos de pensão. Ou seja, Dantas reconhece que a Kroll investigou não só questões envolvendo a Telecom Italia (como era o discurso oficial do Opportunity até agora), mas também a TIW. Vale lembrar que a Kroll era remunerada pela Brasil Telecom, que não tinha nenhuma relação direta com a TIW ou com a Telemig Celular.
Tudo isso aparece no documento colocado em resposta ao pedido de liminar feito pelo Citibank. O Citi pede para que a justiça de Nova York impeça Dantas de utilizar o dinheiro que a Highlake receberá no processo de venda da Telemig Celular para a Vivo (cerca de US$ 390 milhões). O Citibank alega que tem direito a um terço das ações da Highlake, enquanto Dantas diz que o banco norte-americano tem direito a apenas 5% da empresa.
Em sua defesa, Dantas diz que ele criou a Highlake não como um investimento, mas como uma proteção contra a atuação da TIW. Cita, então, o relatório da Kroll uma reportagem da revista Veja de 27 de junho de 2001 baseada em grampos ilegais. Nesta reportagem, o empresário Nelson Tanure e seu assessor Paulo Marinho são flagrados conversando sobre Daniel Dantas e sobre parcerias com a TIW. Na ocasião, a revista Veja também publicou outro grampo ilegal, com uma conversa entre o jornalista Ricardo Boechat, na época trabalhando para O Globo, e Paulo Marinho, também sobre a TIW. O grampo ilegal e a reportagem levaram Boechat a sair do jornal O Globo. A autoria dos grampos ilegais nunca foi revelada.

Reportagens sob sigilo

Na sua defesa à Justiça de Nova York, o Opportunity cita ainda e-mails internos do Citibank de 30 de abril de 2002 que relatam reportagens que falam de supostos grampos em que o ex-presidente da TIW, Bruno Ducharme, citaria a intenção de tomar o controle da Telemig Celular. O documento de defesa de Dantas omite quais sejam estas reportagens, mas uma simples pesquisa na internet mostra, nesta época, reportagens da revista IstoÉ Dinheiro mencionando grampos, a TIW e as supostas conversas de Ducharme. Vale lembrar que, no início de 2003, Dantas celebrou um acordo com a TIW e comprou a parte da empresa canadense na Telemig Celular por US$ 65 milhões. A empresa utilizada no processo de compra foi justamente a Highlake.
À Justiça de Nova York, Daniel Dantas diz ainda que a tentativa do Citibank e da Brasil Telecom de bloquear os recursos a serem recebidos pela Highlake é uma jogada para ganhar vantagem tática na negociação referente à fusão entre BrT e Telemar. Para reforçar esta tese, Dantas anexa como provas reportagens recentes da coluna Radar, da revista Veja (de 8 de fevereiro), e do jornal O Estado de S. Paulo (de 21 de fevereiro).
Dantas diz ainda que não faz sentido o Citibank pedir o bloqueio de 100% do que a Highlake vai receber se ele mesmo reclama apenas um terço da companhia, e alega que esse bloqueio acarretará custos financeiros pesados e desnecessários.
A íntegra do documento com a argumentação de Dantas e com as reportagens anexadas como provas está disponível em www.teletime.com.br/arquivos/highlake.zip . O relatório da Kroll não está disponível para o público na Justiça de Nova York.

Novo pedido

Paralelamente, o Citibank entrou com um novo pedido para que Dantas seja forçado a revelar todos os documentos que tem disponíveis sobre a operação de criação da Highlake e compra da participação da TIW.

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