OUTROS DESTAQUES
Estratégia
Falta de lei de privacidade de dados prejudica negócios para teles
sexta-feira, 27 de abril de 2018 , 16h54

Uma das grandes promessas de negócios para operadoras de telecomunicações é a exploração de modelos baseados em dados, mas no Brasil ainda é necessário passar por barreiras que engessam as possibilidades de novos fluxos de receita. Em pleno processo de reestruturação com o início do plano de recuperação judicial, a Oi procura oferecer soluções baseadas em big data, mas acaba tendo que se segurar pela insegurança jurídica com a falta de uma Lei de Privacidade de Dados no País. "Ficamos engessados, é claro. A gente precisa ter isso bem resolvido e definido, porque o que tem hoje dá margem a milhões de interpretações, não tem uma coisa escrita explicitamente", afirma o diretor de negócios TI e B2B da Oi, Luiz Carlos Faray.

Para contornar isso, a operadora usa plataformas de análise de dados que não afetam a privacidade dos usuários, usando estatísticas e autorizações (opt-in). Mas a companhia gostaria de poder saber onde pisa com mais clareza. "A insegurança jurídica gera um atraso em muitas soluções. Por exemplo, o credit score para não bancarizados é uma solução que a gente tem pronta e nunca anunciamos para o mercado", exemplifica Faray. Esse produto não lançado poderia se basear em informações de frequência de recarga, por exemplo, para dar um score (como um perfil de bom pagador) para o usuário e permitir o acesso ao crédito. Com a legislação atual, contudo, não há condições de disponibilizar a solução. "A gente precisa ter um arcabouço jurídico", reitera.

A necessidade da legislação é reconhecida por especialistas e mesmo pelo governoEnquanto ainda não há de fato uma legislação específica, a falta de clareza no assunto causa embaraços, como o recente episódio do Ministério Público com a Vivoo que naturalmente causa preocupação no setor.

Faray diz que atualmente há uma série de restrições que resultam em mais cautela por parte da operadora, o que acaba afetando o modelo de negócios. Ainda assim, a Oi trabalha com plataformas que geram estatísticas que considera gerar valor para empresas. "Meu trabalho está muito focado hoje nos dados estatísticos, e isso já ajuda muito no planejamento urbano e logístico de cidades. Tem uma longa estrada para amadurecer os produtos, mas já conseguimos fazer muito", declara.

O diretor da Oi diz acreditar no modelo de negócios baseado no big data para operadoras. "Obviamente elas vão precisar se transformar, desenvolver novas competências verticais, precisa conhecer o mercado publicitário, determinados setores que contratam publicidade, mas sem dúvida o que a gente tem (os dados) é ouro", explica. Para tanto, ressalta a necessidade de as operadoras estarem preparadas para a nova realidade, aproveitando a capilaridade e o acesso ao cliente final. "Temos muitas competências aqui que vão nos fazer voltar ao jogo, só precisa amadurecer, e assim vamos ter uma nova linha de negócios pujante, crescente."

Parcerias

Um exemplo é o caso de uma plataforma de análise de dados aplicada em parceria com a empresa de gestão e educação executiva HSM. Com os dados dos usuários do aplicativo da HSM (há um mecanismo de opt-in para fornecimento das informações), a Oi consegue fornecer um painel mais preciso para o cliente ao mostrar comportamentos de uso do consumidor, como o aplicativo de banco instalado, as viagens recentes ou mesmo o tipo de atividade física preferido. Junto com as informações coletadas pela tele com base em triangulação, o contexto permite à empresa visualizar a "jornada do cliente" não apenas no ato de uma compra/transação, mas antes disso. "Essas informações conjugadas com as de deslocamento dão mais uma dimensão de informações baseadas em outra fonte e métrica", diz.

Além do contexto, há a possibilidade de mostrar, em tempo real, onde o consumidor está em um estabelecimento ao capturar dados de geolocalização por GPS. "Claro que a parte geolocalizada e rede tem uma precisão baseada em triangulação de uns 100 metros, com imprecisão, mas é diferente disso, porque aqui a precisão é de pouquíssimos metros, baseado no GPS do celular. É quase uma solução de localização indoor sem beacon", define Luiz Carlos Faray. De posse dessas informações, é possível fazer campanhas de engajamento do cliente, mandando cupons de desconto, por exemplo. A operadora assim ajuda a empresa a tomar a decisão e selecionar quem ela quer impactar.

Para o diretor da Oi, é um cenário no qual as teles podem se destacar, uma vez que a plataforma proporciona um conjunto de dados (data lake) para a tomada de decisões com dados estruturados ou não, vindos de todas as fontes, como a sinalização de celular. E isso pode ser recurso para iniciativas públicas. "Já temos vários governos utilizando soluções com gestão de energia e climatização, eu ajudo ele a economizar na energia; ou analytics para turismo, por exemplo. Temos vários projetos em andamento", diz. "Cidade inteligente é (um conceito) bonito, mas você já tem muitos sensores, que são as antenas, e eu posso ajudar em segurança pública e saúde", declara.

IoT

Além de big data, a unidade corporativa da Oi está trabalhando em uma série de provas de conceito (POCs) em Internet das Coisas. Faray diz que os projetos estão "caminhando, algumas praticamente virando negócio, uma delas com um grande banco no Brasil e que está praticamente fechado, só faltando ajustes de contrato".

Nessas POCs, a operadora tipicamente utiliza 2G em 1.800 MHz (com baixo consumo de capacidade), mas também executa testes com LoRa. "A gente está vendo primeiro quais problemas vamos resolver. Se vai ser Wi-Fi, Bluetooth, 5G ou LoRA, fica para depois", declara. Perguntado se uma das tecnologias seria baseada em 450 MHz, o diretor da Oi afirmou que há "várias alternativas sendo discutidas", que essa faixa é uma delas e que já conta com aplicação. "A gente só precisa realmente viabilizar o caso, porque há investimento para iluminar o equipamento", diz. Ele reconhece que o ecossistema para uso dessa frequência é escasso, mas acredita que a Anatel não vai precisar interferir na questão (a agência considera a possibilidade de retomar o espectro e realizar um novo leilão caso as teles não o utilizem).

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário para esta notícia.

Deixe o seu comentário!

EVENTOS

O mercado de TV por assinatura mudou. Operadores, programadores e canais se adaptam a um novo tempo em que a não-linearidade, a distribuição multiplataforma e novas formas de engajamento e interação entre telespectadores e conteúdos passa a ser a regra. Neste evento, uma reflexão sobre o presente e o futuro da indústria no Brasil, seus principais desafios, os caminhos que estão surgindo, as principais inovações e as tendências globais mais relevantes. Um evento organizado com a expertise e a curadoria editorial das publicações TELA VIVA, PAY-TV e TELETIME. Mais informações pelo email eventos@teletime.com.br

30 de julho a 31 de julho
WTC Events Center – São Paulo, SP, SP, Brasil
EVENTOS

O mercado de TV por assinatura mudou. Operadores, programadores e canais se adaptam a um novo tempo em que a não-linearidade, a distribuição multiplataforma e novas formas de engajamento e interação entre telespectadores e conteúdos passa a ser a regra. Neste evento, uma reflexão sobre o presente e o futuro da indústria no Brasil, seus principais desafios, os caminhos que estão surgindo, as principais inovações e as tendências globais mais relevantes. Um evento organizado com a expertise e a curadoria editorial das publicações TELA VIVA, PAY-TV e TELETIME.

30 de julho a 31 de julho
WTC Events Center – São Paulo, SP, SP, Brasil
Top