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Claro se concentra no pós-pago. Fim da era dourada do pré?
quinta-feira, 26 de abril de 2007 , 20h31 | POR IVONE SANTANA

A era de ouro para os aparelhos celulares pré-pagos pode estar entrando em declínio. A Claro, última empresa que vinha subsidiando fortemente esses telefones, decidiu colocar o pé no freio. A estratégia agora é fazer subsídio pontual e esporádico, ou seja, quase não subsidiar. A afirmação é do presidente da operadora, João Cox, que adotou o conceito de investir na relação da empresa com o cliente por meio do serviço pós-pago atrelado a um contrato. O volume de subsídios no País não foi revelado, mas o montante no grupo América Móvil, controlador da Claro, atingiu US$ 600 milhões no primeiro trimestre deste ano.
Em relação ao pós-pago, entretanto, a política de subsídio continua e não tem prazo para terminar com a entrega de aparelhos grátis. Cox está confiante na agressividade e eficiência dessa estratégia para angariar clientes, o que aparentemente o deixa relativamente tranqüilo sobre a decisão da Vivo em vender aparelhos pós-pagos GSM por R$ 10, no plano de 90 minutos, o modelo Sony W200. O preço normal seria R$ 299 para clientes Vivo, enquanto no pré-pago é R$ 399. Conforme o executivo, "não existe guerra de preços, já que seu telefone é grátis". Mas fonte da Vivo destaca que os celulares oferecidos gratuitamente pela Claro são low end, de configuração básica, muito aquém do Sony W200, por exemplo. Outro exemplo é o LG Shine, que na Vivo o pacote de 180 minutos sai por R$ 499 e na Claro, 200 minutos por R$ 649.
Significa que a briga continua, sim, embora no pré-pago mais se pareça com um jogo de empurra-empurra, pois ninguém parece muito interessado em atrair esse cliente que ainda continua a representar em torno de 80% da base das operadoras móveis. Portanto, dispensá-los seria como rasgar dinheiro. Por isto, a idéia talvez seja aumentar o ingresso de pós-pagos, mantendo a outra carteira, que com o tempo pode ser estimulada a adicionar valor aos créditos.

Outras estratégias

Na Oi, por exemplo, há muito tempo o subsídio foi concentrado apenas no pós e a empresa avisou que não fará qualquer mudança. No pré, a tele não só eliminou esse suporte financeiro como também decidiu se livrar até do estoque, transferindo o negócio de vendas diretamente entre fornecedores e rede varejista, desde meados de 2006. O resultado foi que o custo com aparelhos celulares mais SIM cards caiu de R$ 112 milhões para R$ 68 milhões na comparação anual entre trimestres da Oi.

Impactos do subsídio

Se o custo é zero para o cliente, alguém tem que pagar por isto. E a conta não foi barata para a Claro, sob alguns aspectos no balanço do primeiro trimestre deste ano. A receita média por assinante (Arpu) teve variação negativa de 2,4%, para R$ 27, o churn ou desligamento de assinantes aumentou de 2,3% para 2,8% e os minutos de uso (MoU) na rede diminuíram 4,8%, de 68 para 64 no período. A receita de serviços cresceu 25,5% no trimestre, para R$ 1,98 bilhão, mas na venda de aparelhos caiu 13,9%. Não se sabe o percentual dos clientes que recebem celulares grátis ou com forte subsídio continuam na rede da empresa após o fim do contrato de fidelidade. Cox espera retê-los com uma boa oferta de serviços e atendimento. Porém, reconhece que sempre haverá consumidores que buscam menores preços continuamente.
Mas os pontos positivos parecem compensar. Houve crescimento de 34,4% das linhas pós-pagas para 4,2 milhões em comparação a igual período de 2006. No pré-pago a evolução foi de 25% para 20,3 milhões de linhas no período, totalizando uma base de 24,6 milhões de usuários. A participação nas adições líquidas no mercado total de pós-pago atingiu 52,1%.
Além disto, o Ebitda foi de R$ 590 milhões, com evolução de 147% em comparação ao primeiro trimestre de 2006, enquanto a margem Ebitda foi de 27,4%, 14 pontos percentuais acima de igual período. O lucro operacional (Ebit) atingiu R$ 168 milhões. A empresa também destaca que diminuiu a diferença de participação de mercado em relação à líder Vivo, de 5,2 para 4,3 pontos percentuais.

América Móvil

Na América Móvil o lucro líquido subiu 52%, para 15,7 bilhões de pesos (US$ 1,4 bilhão). O Ebitda ficou em 28,9 bilhões de pesos (+51%) ou US$ 2,62 bilhões, com margem de 42,7%. A base de clientes nas Américas atingiu 131,2 milhões de pessoas, das quais 5,9 milhões são novos assinantes e 564 mil oriundos da aquisição da Telecomunicaciones de Puerto Rico. A receita do grupo ficou em 67,7 bilhões de pesos (US$ 6,15 bilhões), 28,1% maior que no trimestre comparativo.

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