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Celular é uma das novas armas para promover o desenvolvimento
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 , 11h31 | POR BRUNO DO AMARAL, DE BARCELONA*

Como ferramenta de empoderamento, o celular tem sido a principal arma tanto para inclusão digital quanto financeira em países em desenvolvimento. Mas, além da promoção da conectividade como no projeto Internet.org e Free Basic Services, do Facebook, a plataforma pode ajudar de outras formas. Na visão da presidente de mercados internacionais da MasterCard, Ann Cairns, tais ações não podem ser tomadas por apenas um player. "A conectividade também serve como inclusão em outros setores, e os bancos têm um grande papel, assim como os players móveis e as empresas locais de tecnologia", declarou ela durante painel na Mobile World Congress, em Barcelona, nesta semana. "Não é fácil construir um ecossistema todo, mas achamos que os governos anseiam seguir em diante em parcerias com teles em vários países", diz. Ela cita como exemplo acordo do governo do Egito com a operadora Etisalat e a MasterCard para trazer serviços de pagamentos móveis e carteira móvel.

Ann Cairns alerta para a necessidade de, preferivelmente, antecipar os momentos de crise para definir a estratégia de cada stakeholder. Essa foi uma realidade vivida no Afeganistão, país em constante estado de guerra com o movimento fundamentalista Talibã. Mesmo com várias cidades devastadas por bombas, o CEO da operadora afegã Roshan, Karim Khoja, comemora resultados. "Há 12 anos, se você quisesse fazer ligação, teria que andar 700 km para fazer. Hoje, paga-se US$ 0,01 para uma ligação no País e US$ 0,03 para ligação internacional", diz.

Para o diretor executivo da Unicef, Anthony Lake, os dispositivos móveis permitem ajudar de formas inéditas, como a ajuda em campos de refugiados na Europa nos quais a entidade oferece espaços para crianças utilizarem smartphones – no processo, elas são registradas em bancos de dados para rastreamento. No entanto, o fundamental é focar na real demanda desses países. "Pode parecer fantástico, mas a população (dessas nações em desenvolvimento) sabe mais do que precisam do que desenvolvedores a milhares de quilômetros de distância", ironiza.

* O jornalista viajou a convite da FS.

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