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Yahsat planeja flexibilidade de negócios e redução de custos para atacado e varejo em 2017
sexta-feira, 24 de junho de 2016 , 18h14

Com licença entregue pela Anatel em março e previsão de início de operações em meados de 2017 – o lançamento do satélite Al-Yah 3 deverá ocorrer no início do ano que vem -, a operadora dos Emirados Árabes Unidos Yahsat (uma subsidiária integral da Mubadala Development Company, veículo de investimento do governo de Abu Dhabi) pretende atacar em duas frentes no mercado brasileiro: atacado e varejo. O projeto todo conta com investimento de US$ 200 milhões, que incluem dois teleportos nas cidades de Hortolândia e Jaguariúna, interior paulista. Como explicou a este noticiário o diretor de vendas e atacado da Yahsat no Brasil, Jeferson Almeida, "o modelo de negócios que estamos propondo ao Brasil é o que entendemos ser o mais flexível possível".

A companhia atua também com atacado na África, mas diz que o modelo a ser utilizado no Brasil será diferente por ser mais maduro. A ideia da operação brasileira é oferecer acesso a parceiros, além da possibilidade de usar a estrutura para que eles mesmos vendam essa conexão.

Operadoras de serviço móvel estão na mira da Yahsat, que já anunciou conversas formais com a TIM para oferecer backhaul em regiões afastadas. Essa negociação continua por conta da complexidade da operação e do acordo, segundo Almeida, mas a empresa conversa com todas as operadoras. "A TIM é um excelente caso de wholesale, porque é uma operadora que tem estrutura de satélite bem madura, tem bastante know-how de satélite dentro de casa, então estão aptos a usar (o satélite) para atender às demandas internas da própria engenharia", destaca

Provedores de Internet (ISPs) também estão na mira da companhia árabe, mas não necessariamente no mercado de pequenos. "Tendem a ser de médio para grandes provedores, um pouco mais robustos, até pela própria especificidade do que estamos oferecendo e a disponibilidade de eles poderem comprar e distribuir no local."

Sem problemas para as teles

Um problema recorrente das soluções atuais de backhaul para operadoras é a latência. Jeferson Almeida justifica que, embora o fenômeno exista, atualmente é menos relevante do que há três anos. "O que mudou na verdade é o tipo de conectividade feito pelas células: quando vinha de ambiente 2G e 3G era dominado por serviços de voz e era mais perceptível. Hoje, nós migramos para o ambiente absolutamente dominado por dados, o 4G, e nele as implicações da latência são menores; na verdade a situação melhorou muito." Segundo o diretor de vendas, entre 95% e 98% das aplicações usadas em celulares não são afetadas pelo fator.

Ele acredita ainda que a chegada da banda Ka vai acabar tendo impacto no custo. Na visão do executivo, operadoras só consideram o backhaul por satélite como infraestrutura temporária atualmente por conta do preço atual. "Com as novas tecnologias e a entrada da banda Ka, o custo cai significativamente, então pode ser que esteja abrindo novo mercado", analisa.

Venda ao consumidor

Para o varejo, a aposta será em vendas diretas utilizando a própria marca da Yahsat, a "Yahclick", explorando não apenas a cobertura em 95% da população brasileira, mas a facilidade de implantação nas residências, com "a rapidez de instalar o DTH". Almeida diz ainda que o produto oferecido não terá custo proibitivo. "Há parte da população que pode pagar, como em locais a 70 km de São Paulo, mas que não têm qualidade ou velocidade boa na conexão", diz. Mas complementa: "Vamos lutar muito para o preço ser mais baixo".

O diretor da Yahsat no Brasil, Márcio Tiago, explica que, mesmo com a crise econômica atual no País, o mercado de varejo ainda conta com grande demanda não atendida. Para ele, mesmo com a situação financeira mais difícil, a demanda teria diminuído, mas não tanto. "Não vou dizer que a gente não sofreu impacto, mas de certa forma, (a crise) ajuda a endereçar nossa oferta no mercado brasileiro", declara, embora ressalte que esse efeito é ainda maior no atacado. Além disso, esperam que, até a metade do ano que vem, quando o Al-Yah 3 começar a operar comercialmente, o cenário econômico já esteja melhor.

A distribuição da operação seguirá a cobertura: o satélite chega a toda a região Sul e "grande parte do Nordeste", por exemplo, e a transmissão não pode ser migrada para outro local. "Como a capacidade é baseada em spot beam, ou seja, são feixes, cada feixe tem seu número de assinantes, não posso migrar", explica. O artefato ficará posicionado em 20º Oeste e terá carga total de 60 spot beams de banda Ka.

Futuro

Para além de 2017, a YahSat planeja expandir para outros mercados na América Latina, a depender do desempenho no Brasil. "Temos agora só no Brasil porque tem grande representatividade na região, mas é um país com uma língua só, com arcabouço regulatório bem formado, então vamos primeiro aqui, mas a gente não pretende parar", declara Márcio Tiago.

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