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Satélites
Entrada da operadora Dish no Brasil poderia estar por trás da estratégia da Hughes
quarta-feira, 21 de setembro de 2011 , 18h57 | POR RUBENS GLASBERG E SAMUEL POSSEBON

Um dos grandes mistérios da recente disputa por posições orbitais realizada pela Anatel no final de agosto é qual a estratégia por trás do lance, sem precedentes históricos, de cerca de US$ 90 milhões feito pela Hughes pela posição 45ºW. Foi um ágio de mais de 3.500% sobre o preço mínimo. A empresa não comentou na ocasião quais o seus planos, e no dia seguinte o comunicado aos investidores publicado nos EUA se resumiu a anunciar a vitória (sem dar o preço) e dizer que o projeto era colocar satélites com capacidade para banda Ku e Ka. Agora, semanas depois do leilão, algumas hipóteses passaram a ser levantadas pelo mercado para tentar justificar a estratégia.
 

A hipótese mais provável considerada pelos observadores é que seja uma estratégia do magnata Charles Ergen contra a DirecTV. Ergen é chairman e maior acionista da Echostar (controladora da Hughes) e da Dish. A Dish, por sua vez,  é a grande concorrente da DirecTV no mercado de TV paga via satélite nos EUA.  O lance de US$ 90 milhões pela posição 45ºW no Brasil seria uma forma de impedir a DirecTV (controladora da Sky) de ter seu próprio satélite na região.


Mas há quem especule que exista, para além dessa estratégia, também a possibilidade de a Dish estar planejando a sua entrada no mercado latino-americano, e nesse sentido a posição orbital adquirida teria grande valor estratégico, sobretudo para o mercado brasileiro. Se a estratégia for essa, os US$ 90 milhões pagos pela Hughes pela posição orbital passam a fazer sentido, considerando-se o potencial de faturamento de uma operação de DTH pan-regional. Vale lembrar, contudo, que a esse custo da posição orbital somam-se mais cerca de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões para construir e colocar um satélite no ar com seguro. Além disso, nos últimos anos, qualquer estratégia envolvendo a América Latina é muito bem recebida pelo mercado financeiro norte-americano, e a Dish precisa de fatos novos para colocar aos analistas para compensar as dificuldades no mercado doméstico, especulam observadores.

Parceria improvável

Outro fato a ser considerado é que a Dish é parceira da Telmex no México, mas é improvável que as operadoras estejam atuando de forma combinada, especulam observadores do mercado, pois a Telmex já teria sua estratégia traçada e a maior parte do mercado latino-americano já está tomada. No Brasil, o grupo econômico controlador da Telmex é o principal acionista da StarOne, que disputou algumas posições orbitais com a Hughes, e controlador da Net e Via Embratel.


O problema da Telmex em TV por assinatura é, ironicamente, o México, onde a operadora foi proibida de explorar o mercado por ser a incumbent de telecomunicações, e lá a Dish já está presente.

Mudança de rumos

De qualquer maneira, a Hughes terá agora que colocar o satélite em operação e isso representará uma mudança em sua estratégia, até hoje baseada na comercialização de terminais de V-Sat e uso de satélites de terceiros na região. Imagina-se que a operadora de satélite, que já anunciou a disposição de operar banda Ka, esteja planejando o lançamento de um satélite de alta capacidade (HTS – High Throughput Satellite),  uma geração de satélites ainda com poucos exemplares em órbita.

Sozinha

Do ponto de vista da DirecTV, a disposição de entrar no mercado de operação de satélites era grande, tanto que a Sky, no leilão realizado pela Anatel, começou com um lance de R$ 40 milhões e fez a Hughes subir o seu lance dos R$ 83 milhões iniciais para os R$ 145 milhões finais. A única posição que efetivamente interessava à Sky era a 45°W. Mas segundo interlocutores da empresa, o fato de ter perdido a disputa e não ter a chance de construir um satélite próprio na posição desejada não será um problema. "Agora, vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, que foi garantir capacidade satelital de terceiros", diz uma fonte do grupo DirecTV. No caso da Sky, o fornecedor é a Intelsat. "E se precisarmos de capacidade no Brasil, temos um satélite posicionado para o México que pode ser remanejado facilmente para atender o Brasil", diz a fonte. Segundo pessoas familiarizadas com a estratégia da DirecTV, a única coisa que dificilmente acontecerá é ela se tornar cliente da Hughes, justamente por conta da disputa pelo mercado norte-americano de TV paga. "Se a Hughes apostou que tirando a posição da Sky teria a operadora como cliente, errou", diz uma fonte que acompanha esse mercado.

Evento

Algumas dessas hipóteses serão discutidas e analisadas no Congresso Latino-americano de Satélites, evento organizado pela Converge Comunicações e pelas revistas TELETIME e TELA VIVA nos dias 6 e 7 de outubro, no Rio de Janeiro. O evento tem como foco as perspectivas e as estratégias das empresas operadoras de satélite. Têm presença confirmada no evento os principais executivos da Hughes no Brasil (Délio Morais), da StarOne (Lincoln Oliveira), da Intelsat (Estevão Ghizoni), da SES (Scott Sprague), da Hispamar (embaixador Sebastião do Rego Barros), da O3b (Erwin Mercado) e da Telesat (Edson Meira). O encontro também terá debates com autoridades (o conselheiro da Anatel Jarbas Valente e o secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão), representantes da Telebrás e das Forças Armadas. Mais informações pelo site do evento ou pelo telefone 0800-7715028.

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Principal encontro independente de debate e reflexão sobre políticas setoriais dos setores de telecomunicações e Internet. Organizado há 17 edições pela TELETIME e pelo Centro de Estudos de Políticas de Comunicações da Universidade de Brasília (CCOM/UnB), o evento congrega reguladores, formuladores de políticas, acadêmicos, empresas e analistas para um debate aberto sobre os temas mais relevantes e que serão referência ao longo do ano. Em 2018, estão em discussão uma agenda possível para o setor, o impacto do cenário eleitoral sobre as telecomunicações, a atuação  do Congresso Nacional sobre as políticas do setor de telecomunicações e Internet e as referências regulatórias internacionais.

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