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Frequências e aplicações: onde o Brasil pode (efetivamente) influenciar a 5G
quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016 , 16h05 | POR SAMUEL POSSEBON, DE BARCELONA

 

O governo brasileiro anunciou esta semana durante o Mobile World Congress, em Barcelona, um acordo de cooperação com a Comissão Europeia para o desenvolvimento das tecnologias que compõem o conceito da quinta geração (5G) de serviços móveis. O acordo, segundo divulgado, prevê a coperação na padronização das frequências, tecnologias e desenvolvimento de aplicações.

Fornecedores empenhados no desenvolvimento do 5G ouvidos por este noticiário acreditam que o país terá condições de dar mais contribuições no desenvolvimento das aplicações. "Vejo o Brasil e outros países da América Latina ajudando a impulsionar o 5G sob a perspectiva dos operadores, do desenvolvimento de aplicações. Quais são as necessidades? Quais são as aplicações mais demandadas na região? Porque são essas as aplicações que ajudarão a moldar o padrão técnico", diz Dimitri Diliani, principal executivo da Nokia para a América Latina.

Ele exemplifica com os testes que estão sendo feitos nos EUA, por exemplo. "Algumas operadoras estão optando por usar o 5G para entregar acesso fixo, de alta velocidade, de 1 Gbps. Isso vai requerer uma largura de espectro. Mas se a opção for por outros serviços, a faixa pode ser outra".

Espectro

Uma questão que foi colocada pelos fornecedores ao governo, que esteve presente em delegação ao estande de quase todos os grandes fornecedores, é a urgência e importância de começar a definir as frequências que serão usadas para o 5G rapidamente. Isso porque a próxima conferência de radiocomunicação da UIT para bater o martelo na destinação das faixas está marcada para o final de 2019, mas muito provavelmente a indústria já terá encaminhado a adoção de algumas faixas. Nos países desenvolvidos, as faixas que estão sendo cogitadas para o 5G são aquelas acima de 6 GHz, mas considerando que mesmo o LTE poderá ser usado em algumas implementações de 5G, faixas mais baixas podem entrar na disputa. A conferência de radiocomunicação de 2015 deveria ter indicado quais seriam as faixas pelo menos candidatas ao IMT para 2019, mas não foi possível chegar a esse consenso. E o problema é que boa parte destas faixas mais cotadas para o 5G está reservada para os serviços de banda Ka, inclusive a faixa de 28 GHz, onde operará o Satélite Geoestacionáro Brasileiro, que será lançado no final do ano e é operado pela estatal Telebras.

Outro problema, que vai além da definição de faixas, é que o 5G trabalha com faixas muito maiores, com mais de 1 GHz de largura, mas muitos dos serviços que poderão trafegar nestas faixas não estão sequer concebidos ainda e, em muitos casos, não serão sequer operados por empresas de telecomunicações, que tradicionalmente disputam as faixas de espectro no modelo tradicional de leilão, como indústrias ou prestadores de outros serviços não necessariamente ligados ao setor de telecom.

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