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Espectro
Desafio da radiodifusão é justificar manutenção do espectro, dizem especialistas
terça-feira, 01 de dezembro de 2015 , 15h01

O Brasil conseguiu manter a destinação da faixa de UHF (470 MHz a 698 MHz) para a radiodifusão na conferência mundial de radiocomunicação (WRC 15) da União Internacional de Telecomunicações (UIT), encerrada na semana passada, porém essa decisão é temporária e pode mudar já em 2019, segundo afirmou o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão. Ele ressalta que o desafio para os técnicos desse setor será apresentar estudos técnicos robustos que sustentem essa manutenção. "Nós ganhamos um fôlego de até oito anos", disse nesta terça-feira, 1º, em debate sobre o uso de espectro organizado pela Momento Editorial.

Durante a WRC-15, a maioria dos países defendeu a identificação mundial da faixa para serviços móveis e que alguns deles, como Estados Unidos e Canadá, já adotaram. Martinhão reconhece a necessidade da radiodifusão por espectro, mas ressalta que a harmonização da faixa para o IMT pode acontecer, como ocorreu com a faixa de 700 MHz.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, a radiodifusão já está espremida na faixa de UHF e não pode abrir mão de mais espectro. Ele afirma que a segunda onda de digitalização da TV, com as transmissões em 4K e 8K, terá que vir do uso eficiente do espectro, ou seja, utilizará o mesmo canal de 6 MHz, já distribuídos hoje, com uso de muita tecnologia.

Satélites

O setor de satélites também ficou satisfeito com as conquistas da delegação brasileira na WRC 15. Segundo o consultor de engenharia de satélite, Paulo Bertram dos Santos, a identificação adicional da faixa de 14,5 a 14,8 GHz para serviços de satélite em banda Ku e a manutenção da faixa de 27,5 GHz para o serviço foram resultados importantes.

Santos disse que os espectros já identificados para serviços de satélites podem suportar o crescimento do setor, mas o existente precisa ser protegido de interferências. Ele citou o caso da banda C (3,5 GHz), que muitos países já estão destinando para o IMT. "No Brasil, esse espectro é importante nas transmissões de serviços da radiodifusão", afirmou.

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