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Call centers atribuem a precarização do trabalho dos atendentes a metas estabelecidas pela Anatel
terça-feira, 03 de novembro de 2015 , 16h48

A Anatel e os tomadores de serviço são os maiores responsáveis pela precarização do trabalho nas empresas de call center que atendem as teles e as prestadoras de TV por assinatura. A afirmação é do consultor jurídico do Sindicato Nacional das Empresas Prestadores de Serviços e Instaladoras de Sistemas e Redes de TV, Marcelo Proença, durante audiência pública no Senado, nesta terça-feira, 3, que discutiu as dificuldades enfrentadas pelo operador de telemarketing.

Segundo Proença, a Anatel exige metas de qualidade inalcançáveis pelas prestadoras de serviços de telecom e não fiscaliza como estas são cumpridas, enquanto as empresas contratantes, que enfrentam crise econômica, exigem maior produtividade e menor custos dos call centers. "Para reduzir custos, as teles chegam a contratar 'empresas-gato', que não pagam impostos e exigem mais dos funcionários, precarizando o trabalho e penalizando as companhias sérias", disse.

O consultor reconheceu que há problemas nos call centers, mas que as empresas de boa-fé não podem pagar pelas companhias que agem como 'empresas-gato'. Disse também que a terceirização de telemarketing é uma tendência mundial e que necessita de aprimoramento das relações de trabalho.

O diretor-executivo do Sindicato das Empresas de Telemarketing e Marketing Direto do Estado de São Paulo, Stan Braz, por sua vez, não falou dos problemas de relação trabalhista, mas destacou que os call centers faturam R$ 43,4 bilhões por ano, pagam R$ 7,8 bilhões de impostos e empregam 1,6 milhão de pessoas com carteira assinada, que ganham salários entre R$ 800 e R$ 1 mil.

A procuradora Regional do Trabalho da 10ª Região, Renata Coelho, disse que o setor de telemarketing é o maior culpado por o Brasil ser campeão mundial de adoecimento no trabalho. Segundo ela, o poder público gasta muito dinheiro em inquéritos, ações, fiscalizações dessas empresas, sem muito resultado. "Isso é fruto da falta de organização do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, mas isso está mudando e vamos fazer uma devassa completa nessas empresas de Norte ao Sul do País", disse.

Para a auditora fiscal do Trabalho, Odete Reis, as empresas de telemarketing precisam reconhecer que a riscos nessa atividade e tomar as medidas para mitigar, contralar ou afastar essas dificuldades. Ela contou que o Ministério do Trabalho já chegou a interditar um dos maiores call center, mas a medida acabou revertida na justiça.

Representantes da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicação e Pesquisa; da Federação Brasileira das Empresas de Telecomunicação e dos sindicatos dos trabalhadores em telemarketing dos estados de Pernambuco e do Ceará e das cidades de São Paulo e de Campinas, além da Central Única dos Trabalhadores e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, relataram as condições precárias do trabalho dos operadores de telemarketing, da alta rotatividade e da migração das empresas, causando demissões em massa. Para esses sindicalistas, somente a regulamentação da atividade e o estabelecimento de um piso nacional de R$ 1.050,00 poderá mudar esse cenário de abuso, violência e assédio moral ao qual os trabalhadores estão submetidos.

Esses sindicalistas protocolaram uma proposta de projeto de lei na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, que deve ser aceita e relatada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que propôs o debate sobre o tema.

COMENTÁRIOS

2 Comentários

  1. Mario Jorge disse:

    O Sr. Marcelo Proença afirmou uma meia verdade, pois é fato que as Operadoras de Telecom são as grandes responsáveis pelo um cruel aviltamento dos custos e salários do setor de Call Center, porém a Anatel, pelo contrário até tem sido muito conivente com os péssimos serviços prestados.
    Apenas para lembrar, o atual modelo de telemarketing teve um grande impulso a partir da privatização das teles, especialmente alavancado com a criação da ATENTO no final dos anos 90, que sob égide da Telefônica, nasceu transformando uma telefonista da Telesp em Atendente de Telemarketing, reduzindo o salário em aproximadamente 50%. Aliás, este movimento da Telefônica/ATENTO influenciou não só as demais empresas do setor, como também as Empresas de service Desk que foram obrigadas a reduzir salários dos analistas de tele-suporte quase pela metade.

  2. Mario Jorge disse:

    O Sr. Marcelo Proença afirmou uma meia verdade, pois é fato que as Operadoras de Telecom são as grandes responsáveis pelo cruel aviltamento dos custos e salários do setor de Call Center, porém a Anatel, pelo contrário até tem sido muito conivente com os péssimos serviços prestados.
    Apenas para lembrar, o atual modelo de telemarketing teve um grande impulso a partir da privatização das teles, especialmente alavancado com a criação da ATENTO no final dos anos 90, que sob égide da Telefônica, nasceu transformando uma telefonista da Telesp em Atendente de Telemarketing, reduzindo o salário em aproximadamente 50%. Aliás, este movimento da Telefônica/ATENTO influenciou não só as demais empresas do setor, como também as Empresas de Service Desk que foram obrigadas a reduzir a quase pela metade os salários dos analistas de tele-suporte. Call Center é a única área que exige ensino médio e paga salário de ensino fundamental, o que obviamente é a principal razão da péssima qualidade dos serviços.

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