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Painel Telebrasil
Qualcomm e NSN propõem acesso compartilhado autorizado
terça-feira, 21 de Maio de 2013 , 17h58 | POR BRUNO DO AMARAL

Uma alternativa para a escassez de espectro chamou a atenção de fornecedores e governo durante o 57º Painel 2013 Telebrasil nesta terça-feira, 21, em Brasília. O projeto de acesso compartilhado autorizado (ASA, na sigla em inglês), é uma proposta de nova forma de licenciamento de frequências, uma espécie de meio-termo entre espectro licenciado e não-licenciado. A ideia é realizar parcerias com incumbents que detêm o espectro, mas não usam capacidade total e contam com baixa densidade, para liberar essa banda de sobra para ser utilizado para trafegar dados na rede móvel, gerenciando a ocupação da faixa por meio de software.

"É uma forma de começar a utilizar o espectro que está sendo atribuído por uma incumbent que não o utiliza 24 horas por dia e nem em todos os locais", afirma Francisco Giacomini, diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm, citando como exemplo serviços de radares, satélites ou serviços militares de uso restrito. A frequência é compartilhada sem interferência, com gerenciamento entre as partes e administrado por uma entidade, que ele afirma que poderia ser da Anatel. "Isso otimiza o espectro disponível, dando oportunidade com qualidade serviço, por que problema da faixa não-licenciada é o QoS baixo", declara.

Giacomini garante que não existe interferência porque o software faz o trabalho de handover, trocando de usuários conforme a prioridade e ainda desligando o acesso na faixa quando há frequências comuns disponíveis, por meio de rádio cognitivo.

A Qualcomm tem trabalhado na Europa com a faixa de 2,3 GHz, utilizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), alocada para o uso em small cells, com previsão de começar as primeiras operações em 2014.

Demanda forte

A Nokia Siemens Networks (NSN), por sua vez, afirma que será necessário dez vezes mais espectro, chegando a mil vezes a capacidade do que se tem hoje. Para 2016, a companhia prevê que haverá 96 mil sites, 232 mil estações radiobase (ERBs)  e 301 mil small cells no Brasil. Para tanto, além de pensar em um possível refarming do GSM de 1.8 GHz para LTE, a empresa também trabalha com o ASA na Europa. A companhia está realizando projeto piloto na Finlândia com operadoras, com a administração a cargo da Finnish Communications Regulatory Authority (Ficora) agência reguladora do país. "Temos foco na Europa como parte da regulação e padronização para disponibilização da banda de 2,3 GHz sem impactos nos terminais, com ganhos de 18% na largura de banda disponível", afirma o CTO da NSN, Wilson Cardoso.

Cardoso acredita que o próprio LTE-Advanced já "preconiza" a agregação de mais faixas de frequência. "O conceito do ASA não é novo, mas agora colocamos essa necessidade iminente de mais agregação de banda", afirma. Ele argumenta que colocar a nova forma de licenciamento para small cells não traz tanto impacto.

Alternativas de aproveitamento de espectro

Outra forma de liberar espectro é a agregação de espectro não-pareado. "A gente sabe que normalmente as faixas são licenciadas em blocos iguais, como 10 MHz + 10 MHz, mas a gente sabe que o downlink, que tem capacidade maior, mas muitas vezes estoura o downlink e ainda tem espectro suficiente", explica Francisco Giacomini. A sugestão é pegar blocos separados de outras partes, agregando maior capacidade ao downlink. A Qualcomm está trabalhando na faixa de 1,5 GHz, com um bloco de 40 MHz que estaria praticamente livre, metade utilizada pela Embraer em São Paulo para testes de telemetria em determinada região. "Isso poderia conviver ou poderia ser feito um refarming dessa telemetria para outra faixa", diz Giacomini. A técnica, chamada de Supplemental Downlink (SDL) e em testes com a operadora francesa Orange desde fevereiro, tem lançamento comercial na Europa previsto para final de 2014 ou início de 2015. A banda L é a considerada ideal, nas frequências de 1452 MHz e 1492 MHz.

Para mercados como Brasil, Índia, China e República Tcheca, a Qualcomm oferece o Scalable UMTS, para utilizar blocos menores do que 5 GHz para a tecnologia 3G. "A faixa de 900 MHz poderia ser utilizada para o S-UTMS e evoluir a tecnologia para a terceira geração, porque ainda tem algumas faixas que têm trunking", declara o executivo da fornecedora de chipsets.

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