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Infraestrutura
Brasil começa a demandar redes de fibra em 100 Gbps
quinta-feira, 25 de Abril de 2013 , 18h20 | POR BRUNO DO AMARAL

Com a banda larga fixa, a expansão do 3G e começo das operações do LTE, o Brasil começa a viver uma realidade de alta demanda de tráfego de dados. Para suportar isso, um backhaul construído com fibra é fundamental, mas a maioria dos cabos óticos no País ainda funciona com velocidade de 10 Gbps a 40 Gbps. Para aproveitar a oportunidade e antecipar a explosão da demanda no mercado, o engenheiro para desenvolvimento de redes óticas no laboratório de pesquisa da JDSU, Fred Heismann, esteve em São Paulo nesta semana para falar com operadoras e fornecedores sobre novas tecnologias de redes de 100 Gbps e 400 Gbps. E ele garante que não vai demorar tanto para que essas velocidades se tornem padrão da indústria. "Estamos vendo demandas particularmente das teles", diz ele, citando aplicações novas como gerenciamento de desempenho de conexões máquina-a-máquina (M2M), além da banda larga móvel e fixa.

Heismann afirma que, com a tecnologia de 100 Gbps com receptores coerentes, há funcionalidades novas para as empresas. "O feature mais importante é que os receptores são muito tolerantes. Diferente do receiver convencional, o coerente converte todas as propriedades de luz em sinais elétricos, e o processo é capaz de remover a distorção do sinal", garante. Ou seja: há uma menor perda de pacotes na rede.

No contexto nacional, o engenheiro de sistemas (áreas metro, Ethernet e transporte de dados) da JDSU, Fabio Marchiori, diz que a tecnologia de 100 Gbps era utilizada apenas em cabos submarinos e transmissões intercontinentais. Segundo ele, a companhia está analisando e experimentando com operadoras para a implementação da maior velocidade. "A gente vê que a partir do próximo ano haverá expansão para mais enlace entre cidades, operadoras como a Telefônica tecendo sua rede e até mesmo universidades fazendo ligações entre os campus com 100 Gbps", declara. Marchiori explica que o comportamento é semelhante em outros países latino-americanos. "As evoluções vêm e a tendência é a redução do tamanho (dos componentes) e em termos de preço, por isso a gente prevê um crescimento grande a partir deste ano não só no Brasil, mas também na América do Sul."

Explosão da demanda

Segundo previsão da Infonetics é que até 2016 o mercado mundial terá quase 600 mil unidades de equipamentos de transmissão com capacidade de100 Gbps, contra menos de 100 mil atualmente. Nos próximos três anos o mercado de transceptores óticos ainda será dominado pela tecnologia de 10 Gbps, mas observará um grande crescimento em geral, chegando a 25 milhões de unidades em 2016 considerando todas as velocidades juntas. Segundo Fred Heismann, a demanda por aumento de tráfego fixo e móvel está crescendo "por volta de 60% no mundo ocidental, e não espero que seja diferente no Brasil". Ele diz que "estamos há apenas cinco anos para que a demanda aumente para uma situação que precisará de dez vezes mais bandwidth para (as informações) serem transportadas no backbone pelo backhaul".

Ainda assim, ao menos por enquanto, as conversas acerca de 400 Gbps ainda estão engatinhando. "Em geral, as companhias estão interessadas, mas modestamente. Elas querem ver o que vem por aí em transmissão por distância, como ocorrem", diz o executivo da JDSU. Segundo ele, a visão comum é que a tecnologia de 400 Gbps será introduzida nos próximos três ou cinco anos, mas não como um substituto do 100 Gbps, e sim como um complemento. "A razão disso é técnica: está ficando mais e mais difícil transmitir mais informações com a mesma banda elétrica e ótica, então estamos em um limite físico. O limite está acontecendo em todo canto, então a estratégia de desenvolver novos sistemas é o caminho."

Alternativas

Além disso, há outras tecnologias que podem ajudar a compensar esse limite físico, como o uso de cabos "ocos" que transmitem a luz pelo vácuo, em vez de utilizar vidro. Com isso, há um ganho de latência que pode ser significativo para aplicações financeiras de data centers, por exemplo, mas ainda não é algo aplicável ao tráfego normal de dados. "Poderia ser usado, mas a fibra tem outras qualidades e a perda é maior. Se quiser usar para comunicação entre países, especialmente em grandes territórios como o do Brasil, é preciso de mais amplificadores", explica, dizendo ainda que seria uma tecnologia mais cara e ainda não tão prática.

Fred Heismann destaca como uma alternativa mais viável a tecnologia que utiliza múltiplos cores em uma única fibra, aumentando a quantidade de informações trafegadas. "Pode ter várias luzes, várias áreas dentro de uma única fibra, com até sete núcleos. Essa é a tecnologia que está sendo desenvolvida agora e talvez a gente veja nos próximos anos – e que seja barata o suficiente para termos redução no custo da informação nessas redes", finaliza.

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