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Se fizerem lição de casa, operadores não têm que se preocupar com Netflix
quarta-feira, 10 de agosto de 2011 , 17h35 | POR LETÍCIA CORDEIRO

A estimativa de que em quatro ou cinco anos a Netflix possa tomar cerca de 40% do mercado de TV por assinatura nos Estados Unidos é superestimada e não deve se concretizar na opinião do vice-presidente de vendas para a América Latina da NDS, Nicolas Choquart, que participou da seção especial "Futuro dos set-tops, acesso condicional e tecnologias de DRM", no segundo dia do Congresso da ABTA 2011. "Desde que os operadores de TV paga façam a lição de casa, abracem o over-the-top (OTT) como uma oportunidade, oferecendo a seus assinantes serviços de VOD aproveitando sua qualidade de serviço única, e sua maior programação, incluindo eventos ao vivo e sua melhor janela de exibição para VOD premium, não têm de se preocupar: façam seu assinante feliz", aconselhou o executivo do provedor de soluções de DRM e acesso condicional.
Para ele, o negócio da Netflix não trilha um caminho economicamente viável. O serviço OTT tem 22,8 milhões de assinantes só nos EUA e responde por 30% do pico de consumo de banda nos EUA e alguém terá de pagar o preço desse excessivo consumo de banda. "No passo atual, Netflix e provedores de banda larga entrarão em breve em uma batalha. No Canadá, os provedores estão forçando cortes na banda dos usuários após certo consumo mensal e nos EUA em um ou dois anos vamos ver o cenário de neutralidade de rede mudar por causa da pressão dos operadores. O lobby é muito forte para permitir que os ISPs possam restringir determinados provedores de conteúdo", detalha.
O custo do conteúdo é outro fator preocupante para a Netflix, comenta Choquart. "Há estimativas de que este custo cresça até dez vezes, passando dos US$ 180 milhões gastos em 2010 com aquisição de conteúdos para cerca de US$ 1,98 bilhão em 2012 por causa do crescimento do número clientes e do consumo de conteúdo". Se levarmos em consideração que a Netflix obteve em 2010 receitas de US$ 2,16 bilhões com as assinaturas do serviço e teve lucro líquido de US$ 161 milhões, o aumento do custo de programação para quase US$ 2 bilhões torna o negócio insustentável.
TV ainda é chave
Além de concorrência com serviços de OTT, Choquart aponta outro fator para que operadoras de TV por assinatura ofereçam serviços de VOD cada vez sofisticados: o negócio da TV paga ainda está na televisão. Uma pesquisa recente feita nos EUA mostrou que, quando questionados sobre onde preferiam assistir conteúdos de vídeo, 93% dos norte-americanos entrevistados disseram que seu primeiro device era a TV e 43% disseram que o segundo aparelho seria o computador. "Leva um tempo para que os consumidores absorvam novas formas de assistir a conteúdos e operadores de TV paga precisam aproveitar essa oportunidade para continuar crescendo", observa.
No caminho para distribuição de conteúdos em múltiplas telas, Choquart lembra que headend unificado pode ajudar a gerenciar o conteúdo, reformatá-lo para os vários dispositivos e protegê-lo, gerenciando inclusive as permissões de acesso nos devices e DRMs.

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