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Estratégia
Telefónica busca mudanças na regulamentação da Argentina e Colômbia
sexta-feira, 09 de Fevereiro de 2007 , 20h02 | POR MIGUEL SMIRNOFF, DO PRENSARIO

Uma proposta enviada aos órgãos de governo da Colômbia pode dar indícios da estratégia da Telefónica na Argentina, país onde a Lei de Radiodifusão vigente impede a distribuição de televisão. O Ministério de Comunicações da Colômbia, onde a Telefónica obteve uma licença de DTH e adquiriu também a empresa Telecom Colômbia, agora chamada Telefónica Telecom, quer mudar a definição jurídica da televisão por assinatura, aparentemente para que ela passe a depender da Comissão Reguladora de Telecomunicações (CRT) e não da Comissão Nacional de Televisão (CNTV). Por essa proposta de modificação, a televisão por assinatura passaria a ser um ?valor agregado? às comunicações, ao menos na Colômbia. A mudança é uma nova etapa de um grande pleito entre os governos colombianos e a CNTV, e seria incluída na Constituição do país para evitar que seja influenciada politicamente. Se a iniciativa for aprovada, a CNTV ficaria responsável por apenas por regular a TV aberta, mas sem autoridade de regulamentação sobre o cabo e o satélite.
A mil quilômetros ao sul de Bogotá, Carlos Caride, presidente da Telefónica, anunciou em 23 de janeiro que a empresa começará a distribuir o canal Speedy TV por meio de sua rede, apresentando-o como um serviço de valor agregado ao acesso à internet por ADSL que já oferece há anos. Telecom, a outra operadora dominante, tem uma estratégia similar com um investimento de US$ 300 milhões entre 2007 e 2008 para melhorar sua rede fixa.
A apresentação da TV por assinatura como um valor agregado às telecomunicações, parece ter sido acertado com o governo argentino, ainda que os analistas locais considerem que seja difícil que isso aconteça antes de 2008, devido às eleições de outubro de 2007 e a importância política do diário Clarin, cuja empresa controla as principais operadoras de cabo, Cablevisión e Multicanal. Estas têm, em conjunto, em torno de 50% do mercado de TV a cabo. Assim como no Brasil, os operadores de cabo se opõem ao ingresso das operadoras telefônicas em seu mercado.
Em seu relacionamento com as teles, o governo argentino manteve congeladas as tarifas telefônicas residenciais locais e de longa distância desde 2002. Como os preços das chamadas celulares e de acesso à internet são variáveis constituem hoje a principal fonte de receita e dos ganhos das teles. O reconhecimento da TV como valor agregado permitiria às teles uma fonte adicional de receita não regulada.

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