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Estratégia móvel da BrT e caso Kroll assustam analistas
quarta-feira, 04 de agosto de 2004 , 20h50 | POR REDAÇÃO

Os resultados trimestrais da Brasil Telecom não foram nem muito melhores nem muito piores que os das duas outras grandes operadoras de telefonia fixa locais, Telefônica e Telemar. Foram até bastante razoáveis, de acordo com analistas ouvidos por TELETIME News. O que está definitivamente desagradando os investidores, segundo essas mesmas fontes, são as medidas de espionagem tomadas pela diretoria executiva, cujas justificativas, repetidas nesta quarta-feira, 4, em teleconferência, ainda não convenceram os analistas.
Como parte da estratégia para melhorar a imagem, a Brasil Telecom enviou nesta quarta, 4, carta ao Senado Federal oferecendo-se para prestar esclarecimentos sobre o episódio. As teles em geral, e o Opportunity em particular, costumam ter a simpatia de parlamentares nas questões que chegam às comissões.
Mas os analistas de mercado também não gostaram do anúncio, feito na mesma teleconferência pela CEO da BrT, Carla Cico, de que a companhia estuda a possibilidade de comprar licenças para operar telefonia móvel em São Paulo. Consideram esse passo arriscado e desnecessário. As ações da Brasil Telecom continuaram ontem a perder valor na Bolsa de Valores de São Paulo: na semana, as ações preferenciais da Brasil Telecom S/A (BRTO4) caíram mais de 15%, as ordinárias (BRTO3) caíram 3,33%, as preferenciais da Brasil Telecom Participações S/A (BRTP4) caíram 12,7% e as ordinárias (BRTP3) caíram 0,52%. A bolsa, no mesmo período, caiu 0,83%.
Tem havido uma piora quase que geral nos papéis da operadora, ressalvando-se apenas a BRTP3 (ON da holding), que tem apresentado resultado exemplar este ano, em boa parte porque, ainda segundo analistas, deverá ser o alvo na disputa entre Opportunity e Telecom Italia pelo controle da companhia.
O lucro de R$ 82,1 milhões no período foi menor que os R$ 100 milhões a R$ 110 milhões que vinham sendo esperados pelo mercado. Essa diferença é em boa parte explicada pelas provisões feitas pela empresa (de R$ 135 milhões), em boa medida para causas trabalhistas.
A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 921,9 milhões, com ligeira queda de margem para 42,6%.
A operação propriamente dita foi considerada razoável, quando comparada com as outras companhias, na leitura dos analistas ouvidos por TELETIME News.
Para Roberta Kosaka, do Banco Brascan, há pouca diferença em relação ao que a Telesp e a Telemar vêm apresentando. Ela acredita que, a exemplo das outras duas, os resultados serão melhores no terceiro trimestre, principalmente devido ao impacto do aumento de tarifas sobre as receitas.
No caso específico da Brasil Telecom, ainda haverá a novidade da operação em telefonia móvel, que a empresa continua prometendo iniciar no final deste mês na região Centro-Sul, com o objetivo ? de acordo com a CEO Carla Cicco ? de alcançar até dezembro algo próximo a 400 mil usuários e um milhão nos primeiros 13 meses de operação.

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