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Animec diz que fixas perderam R$ 14,6 bilhões em 2003
terça-feira, 08 de junho de 2004 , 17h53 | POR REDAÇÃO

A Associação Nacional de Investidores do Mercado de Capitais (Animec) e a Stern Stewart & Co. divulgaram nesta terça, 8, um estudo tentando comprovar a tese de que as empresas de telefonia fixa teriam acumulado perda de R$ 14,6 bilhões em 12 meses em relação ao índice da Bovespa (Ibovespa), de abril de 2003 a abril deste ano. A estimativa foi feita com base em amostra das ações ON e PN da Brasil Telecom (BrT), Brasil Telecom Participações, Telemar Norte Leste, Tele Norte Leste Participações; Telesp Participações e Data Holdings.
O estudo aponta apenas os questionamentos sobre a manutenção dos contratos e do marco regulatório como os responsáveis por esse prejuízo, uma vez que de abril de 2002 a abril de 2003 as fixas apresentaram uma valorização de R$ 6,5 bilhões na bolsa. Não são colocados no estudo, entretanto, considerações sobre os conflitos societários (no caso da Brasil Telecom), ineficiências de gestão, a pesada competição sofrida com a entrada das empresas de telefonia móvel e a queda geral que as empresas de telefonia fixa vêm sofrendo em todo o mundo desde o fim da bolha da internet. Nos EUA, com exceção da BellSouth em 2003, todas as principais operadoras fixas registram quedas seguidas nas bolsas desde 2000.

Retorno de investimento

De acordo com o trabalho da Animec, mesmo apresentando um Ebitda crescente após a privatização – o lucro operacional da BrT, CTBC, Telemar, Sercomtel e Telefônica somado passou de R$ 7,084 bilhões em 1999 para R$ 14,568 bilhões em 2003 ?, os investimentos geraram custos elevados que, isoladamente, não dão retorno suficiente para cobrir seus custos. O setor teria investido cerca de US$ 19 bilhões desde a privatização, dos quais US$ 14 bilhões (73%) foram consumidos para cumprimento de metas de universalização e qualidade, que eram parte dos editais de privatização e, portanto, previstas no business plan dos investidores. ?Os lucros do setor, aparentemente elevados, são insuficientes para remunerar os investimentos realizados?, diz o documento. Entre 1999 e 2003, o setor teria destruído um valor de R$ 34,4 bilhões, um ?montante que precisa ser recuperado no futuro para justificar os investimentos realizados e atrair novas rodadas de investimentos?. É bom lembrar que o contrato de privatização vale por 20 anos, sende esse, portanto, o horizonte imaginado pelo modelo de venda das empresas do Sistema Telebrás. Em alguns casos, cujos controladores são grupos financeiros, como a Brasil Telecom (com o Opportunity e o Citibank), os acordos iniciais de constituição dos fundos de investimentos previam a realização dos investimentos até 2005 ou, no máximo (se a gestão do Opportunity for renovada), até 2007.

Assinatura básica

O documento da Animec afirma ainda que a extinção da cobrança da assinatura básica dos terminais fixos geraria perdas anuais de R$ 5,9 bilhões em ?lucro econômico? (lucro operacional menos o custo do capital empregado na operação). A cobrança de assinatura básica está sendo questionada em diferentes projetos no Congresso Nacional dada a pressão pela redução do custo do serviço de telefonia. Algumas operadoras entrantes já oferecem o serviço de telefonia sem a franquia mínima, como fazem as incumbents.
Até o final de 2003 o setor contava com cerca de 5,5 milhões de acionistas minoritários, segundo a Animec, e apresentava valor de mercado de R$ 65 bilhões, equivalente a 21% no Ibovespa.

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