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Competição
Crise e ausência de concorrência reprimem mercado da Venezuela
quinta-feira, 08 de Abril de 2004 , 15h36 | POR REDAÇÃO

A taxa de penetração de telefonia fixa e celular da Venezuela é de apenas 11% quando, pelas estimativas à época da privatização em 2000, teria que estar por volta de 17%. Segundo levantamento do instituto Pyramid Research divulgado nesta quinta-feira, 8, a taxa de penetração e as receitas (tanto em bolívar, moeda da Venezuela, quanto em dólar) estão mais baixas do que em 2000, na proporção de renda per capita por penetração.
Quando o governo venezuelano colocou em licitação as 15 licenças de Wireless Local Loop (WLL), apareceram vários interessados como a TelCel (da BellSouth), a Genesis Telecom (Bell Canada, Telmex e SBC), a Digitel e a Entel (Telecom Italia). Desses, apenas a TelCel lançou serviços móveis sem fio. As demais operadoras simplesmente perderam o interesse e, em alguns casos, como a Genesis Telecom, desistiram por completo do investimento, conforme o relatório do Pyramid. A TelCel conseguiu, até agora, chegar a 12% de market share. Mesmo assim, segundo o relatório, isso não significa nenhum avanço, já que a operadora concorre com a incumbent CANTV apenas em áreas não cobertas pela concessionária. A TelCel tem apenas 300 mil assinantes.
A CANTV continua como operadora dominante em todos os mercados em que opera. Na telefonia fixa, com 2,7 milhões de usuários, o market share da operadora é estimado em 92%; na móvel, com a subsidiária Movilnet, tem 2,7 milhões de assinantes (42% de market share); na internet, detém 1,1 milhão de assinantes (79% de mercado).

Crise

Os motivos apontados pelo Pyramid para a compressão do mercado venezuelano são a profunda recessão da economia do país, a desvalorização da moeda local e o poder da incumbent CANTV. Além disso, um ano após a abertura das telecomunicações, o país sofreu um verdadeiro ?furacão?, resultado da instabilidade política e da queda do preço do petróleo.
A conclusão do Pyramid não é nada alentadora. A CANTV, que atua em várias áreas, pode oferecer pacotes combinados de telefonia móvel, fixa e internet, o que é um grande atrativo para o usuário, que o impede de migar para outra operadora. Além disso, os competidores da CANTV não têm escala. A Intercable, por exemplo, que é o maior operador de cable modem do país, conseguiu conquistar apenas 25 mil assinantes de banda larga (aproximadamente 31% da base DSL da CANTV).
A CANTV tem como acionistas a Verizon (28,5%), Telefónica (6,9%), o governo da Venezuela (6,6%), funcionários (9%) e investidores minoritários (49%).

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